Governo de SP gasta milhões em blindados israelenses para reprimir manifestações

PM de SP atacando manifestação contra os gastos com a Copa em 2014
(Foto: Diego Cruz)


Em plena crise de abastecimento de água, causada indiscutivelmente pela falta de investimentos, o governo tucano de São Paulo comprou seis blindados da empresa israelense Plasan Security Solutions, para reprimir protestos e manifestações. Foi a própria Tropa de Choque da PM que projetou o “caveirão” que comporta 24 policiais completamente equipados e armados e já está a caminho do Brasil. Os policiais poderão atirar de dentro para fora, o piso é resistente a minas, tem um sistema de disparo de armas não letais para conter manifestações. Há ainda um segundo lote de quatro outros veículos menores, porém mais ágeis.
 
Há vários questionamentos e motivos para se revoltar com essa absurda aquisição. O primeiro é que são mais de R$ 22 milhões gastos. Enquanto isso, os trabalhadores e a população mais pobre sofrem com a falta de água (que já atinge também setores médios da sociedade), claramente causada pela falta de investimentos, e a carência de serviços básicos como saúde e educação. Definitivamente, a prioridade do PSDB não é o bem estar da população, sequer a garantia de direitos básicos.
 
Em segundo lugar, o Brasil está financiando o massacre do povo palestino ao investir esses milhões. E o governo de SP não inventou a roda. O caveirão carioca, que foi apresentado ao país em 2007, no massacre do Complexo do Alemão, também veio de Israel. Desde então, é usado para executar a população, majoritariamente negra, nos morros e nas comunidades pobres. Em São Paulo mesmo, já são utilizas tecnologias e treinamentos israelenses contra manifestações e movimentos de moradia, e na violência policial na periferia. Além disso, o governo brasileiro tem acordos militares com a indústria bélica israelense. Em agosto do ano passado, um Tribunal Popular, que aconteceu em razão do massacre ao povo palestino, condenou o Estado de Israel e determinou ruptura de acordos.
 
Em terceiro, o grave e preocupante aumento da repressão no país. Os governos, a começar pelo federal, vêm apertando cada vez mais a corda no pescoço dos movimentos sociais, sobretudo depois de junho de 2013. Junto com a notícia da compra dos blindados, veio a de que a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou penas mais graves para o que chama de “crimes que ponham em risco multidões”, como incêndio e explosão. O projeto destaca o agravamento de pena aos black blocs. A fala do deputado Esperidião Amin, do partido corrupto de Maluf, o PP, não deixa dúvidas de que o objetivo é intimidar qualquer tipo de protesto: “A atualidade do PL é inegável, uma vez que, em diversos dos tipos penais ele descreve a ação dos baderneiros e criminosos que se autointitulam ‘black blocks’ (sic), ou seja, os grupos que têm se dedicado nos últimos meses a perturbar a ordem da sociedade brasileira”.
 
É um conjunto de medidas para criminalizar os movimentos sociais e a pobreza, que vão desde armar e equipar mais as polícias e o exército até medidas jurídicas e prisões políticas que sufocam a democracia. O Estado impossibilita inclusive a defesa física dos ativistas e da população que sofre a violência policial todos os dias nas periferias.
 
Tudo isso já é motivo suficiente para revolta e protestos. A criminalização dos movimentos, os ataques à democracia e à liberdade de expressão e manifestação têm de parar já. Isso só vai acontecer com mais mobilização e com o fim da polícia militar, resquício da ditadura.