Governo da Argélia se recusa a negociar com sindicatos livres

Greve é forte em escolas e hospitais e pode se generalizarOs dois primeiros dias da greve geral na Argélia foram marcados por intensa troca de acusações entre os sindicatos e o governo argelino. Enquanto autoridades têm tentado minimizar o reflexo político do protesto que completou o seu terceiro dia nesta quarta-feira, dia 12, os sindicatos reinvidicam sucesso da paralisação, principalmente nas escolas e nos hospitais. O representante dos sindicatos livres declarou que 90% dos hospitais foram paralisados e entre 60 e 70% do setor da educação aderiu a greve no país.

O governo da Argélia iniciou uma propaganda na qual pretende de forma enganosa dizer ao povo que os sindicatos não representam a maioria dos trabalhadores no país. Esse ataque é feito para justificar a recusa do governo em negociar com os sidicatos livres, sendo que estes representam 1,6 milhões de trabalhadores apenas no setor público. Com esta política, o governo argelino quer legitimar o seu poder e monopólio sobre os sindicatos, numa tentativa de criar uma divisão para facilitar a manobra política reacionária e covarde. Por isso, o movimento sindical na Argélia neste momento enfrenta um desafio histórico, o de defender o seu papel de luta e evitar o seu colapso. Os dirigentes declararam que a união nacional de todos os sindicatos é fundamental neste momento.

Esta greve que já dura três dias demonstrou a capacidade de mobilização do movimento sindical argelino. A adesão dos médicos hoje demostra que os sindicatos tem o apoio de vários setores públicos no país, e isso coloca o governo em situação difícil, pressionado pela crise econômica que ameaça o país.

Hoje o governo argelino recusou qualquer possibilidade de negociar com os sindicatos, mas a situação se agravou quando se paralisaram os grandes hospitais no país. Tudo indica que a greve poderá se generalizar.

A luta sindical cresce no mundo árabe contra os governos corruptos à medida em que cresce a resistência contra o interesse imperialista na região. Enquanto a resistência no Iraque, Palestina, Paquistão, Afeganistão e Líbano trava uma batalha militar contra o imperialismo norte-americano e seu aliado, o Estado sionista de Israel, o povo nos países árabes africanos, como Marrocos e Argélia, travam lutas sindicais importantes. Este processo revolucionário está abrindo uma nova etapa mais avançada da luta árabe, e neste momento fica evidente a necessidade histórica da construção do partido revolucionário árabe para organizar e dirigir esta luta ao lado dos trabalhadores.

  • Sindicatos livres da Argélia fazem greve geral

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