Genoino e Cristovam são vaiados na abertura do congresso

O ato de abertura do 48º Congresso da União Nacional dos Estudantes, realizado na noite desta quarta-feira, 18, no Centro de Convenções Rio Vermelho, em Goiânia, foi marcado pela polarização em torno do Governo Lula e da reforma da Previdência. Assim como aconteceu na abertura do congresso da CUT, há pouco mais de duas semanas, Os petistas e membros do governo que compuseram a mesa de abertura foram bastante criticados.

As vaias começaram assim que o presidente da UNE, Felipe Maia, anunciou os nomes do presidente do PT, José Genoino, do ministro da Educação, Cristovam Buarque (PT), do prefeito de Goiânia Pedro Wilson (PT) e do ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz (PCdoB). Praticamente metade das 500 pessoas participaram do protesto, com vaias,

faixas e palavras-de-ordem. Além dos estudantes do PSTU, da tese Ruptura e de setores da esquerda petista, o coro foi engrossado por professores municipais, que estão em greve e travam um duro embate com a prefeitura petista. As vaias continuaram durante as falas dos convidados.

Diante do coro “Ô Genoino, que papelão. Essa reforma é privatização“, o presidente do PT foi buscar em sua trajetória política algo que pudesse acalmar os ânimos e o permitisse iniciar seu discurso: “Eu já participei de congressos clandestinos“.

O plenário dividiu-se. Com vaias, os que criticavam a reforma de Lula. Com aplausos, os que desejam neste congresso aprofundar o caminho da UNE governista. Um exemplo desta política foi dada por Felipe Maia, ao passar a palavra ao ministro Cristovam Buarque. Contraditoriamente, Maia saudou o ministro que pretende taxar ex-alunos das universidades públicas como se o fantasma da privatização do ensino estivesse afastado. “Cada estudante aqui presente lutou destemidamente contra os arbítrios do ministro Paulo Renato, contra as privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso. Cada um desses estudantes deu uma parcela de contribuição para que nós pudéssemos eleger Luis Inácio Lula da Silva presidente da República do Brasil“.

O contraponto foi feito por Gilbran, da nova diretoria do DCE da UFG e membro do PSTU, que falou na abertura e criticou a reforma e a tentativa de acabar com a independência da UNE.