Fundos de pensão: abafar para preservar o governo

Desde o início da crise política, os fundos de pensão foram apontados como uma das principais fontes de recursos para o “mensalão”. No entanto, como parte da estratégia de não aprofundar as investigações, a CPI não pedirá a quebra do sigilo dos fundos.

A decisão de não investigar os fundos partiu de um acordo entre o PT e a base aliada junto com os parlamentares da oposição de direita. O acordão se deve não só ao temor de atingir mais ainda Lula e o PT, mas também de preservar a estabilidade do sistema financeiro. Os fundos de pensão são responsáveis por bilhões de investimentos, sendo juntos os maiores investidores do país.

A operação abafa foi articulada entre a oposição de direita e o presidente da CPI dos Correios, Delcídio Amaral (PT), no dia 4 de agosto. No lugar da quebra de sigilo dos fundos, a CPI vai pedir “informações” à Secretaria de Previdência Complementar, ao ministro Palocci e aos próprios fundos. Ou seja, a CPI vai se limitar a um procedimento formal para que tudo permaneça encoberto.

Da privatização ao mensalão
O PT dirige os principais fundos de pensão ligados às estatais, como a Previ (Banco do Brasil), Funcef (Caixa Econômica Federal) e a Petros (Petrobras). Os fundos, com os bancos, tiveram participação decisiva nas privatizações fraudulentas do governo FHC. Já no governo Lula, fizeram a reforma da Previdência, que aprovada, turbinou seus lucros.

As mais recentes denúncias envolvendo os fundos de pensão dão conta de investimentos suspeitos no Banco Rural e no BMG, que, via empresas de Marcos Valério, iriam parar nas malas dos deputados. E os dirigentes dos principais fundos estiveram recentemente em Portugal, o que reforça a suspeita que agiram com Valério na negociação com a Portugal Telecom.

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