Funcionalismo de Campinas (SP) mantém greve há quase uma semana

Os funcionários públicos do município de Campinas, interior de São Paulo, estão, desde o dia 20 de maio, numa das mais fortes greves da categoria dos últimos anos. A reivindicação por reajuste salarial e por melhores condições de trabalho está se enfrentando com o governo municipal que ofereceu somente 3% de reajuste.

O governo do prefeito Dr. Hélio Santos (PDT) é composto também pelo vice-prefeito do PT, Demetrio Vilagra, e pelo PCdoB. A Prefeitura sustenta que não pode reajustar os salários devido à Lei de Responsabilidade Fiscal. Porém o prefeito reajustou o seu próprio salário e o de seus assessores, incluindo sua esposa e filha, em 56%, o que revoltou ainda mais os servidores.

Todos os dias, acontecem manifestações massivas pela cidade exigindo que o prefeito abra negociação. Na sexta-feira, 22, os servidores municipais realizaram uma passeata com 2 mil pessoas e marcharam até a rodoviária nova, símbolo da administração, onde realizaram um protesto.

Os servidores realizaram o enterro simbólico do prefeito em frente à rodoviária. O terminal foi construído em parceria público-privada e é símbolo das privatizações e terceirizações realizadas pelo governo. Após a passeata vitoriosa, a administração agendou negociação para esta segunda-feira.

Governo Lula deixa de repassar verbas
O governo Lula deixou de repassar mais de 19% das verbas destinadas aos municípios. Quem paga por isso são os funcionários públicos e a população mais pobre. Os prefeitos descontam no funcionalismo deixando de reajustar os salários e piorando ainda mais as condições de trabalho.

Não bastasse o fato de que Lula continue defendendo a Lei de Responsabilidade Fiscal criada por Fernando Henrique Cardoso, agora o governo federal prefere emprestar dinheiro pro FMI, ajudar as montadoras e os grandes bancos e deixar de repassar as verbas para os municípios. Os prefeitos, logicamente, estão deixando de reajustar os salários dos servidores. Essa situação também tem reflexos imediatos na piora dos serviços de saúde e educação. É o preço da crise econômica sendo paga pelos trabalhadores.

É justamente por isso que uma onda de greves de servidores municipais acontece em várias cidades. Em Campinas, Fortaleza, Teresina e em muitos outros municípios, os servidores estão lutando contra esta política criminosa de jogar a crise para os trabalhadores pagarem e que prejudicará a população mais pobre que utiliza os serviços municipais. Em Campinas a maioria da população está favorável à greve do funcionalismo, 63% a favor, assim como também esteve a favor a greve de uma semana dos condutores que se realizou há quinze dias atrás e que foi vitoriosa.