Friboi dá R$ 10 milhões às campanhas de Dilma e Aécio Neves


Primeira prestação de contas mostra doações milionárias de grandes empresas às principais candidaturas

A primeira prestação de contas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra o que todos já sabiam. Nessas eleições de cartas marcadas, as grandes empresas e empreiteiras é que comandam o jogo. Foram doados até agora R$ 170 milhões para a campanha eleitoral. Dos 20 maiores doadores, 10 são empreiteiras.

Só para a campanha à presidência, os principais partidos esperam gastar quase R$ 1 bilhão. Até agora, já foram doados R$ 31,2 milhões às principais candidaturas. PT, PSDB e PSB foram os destinos de 94% desses recursos. Aécio Neves recebeu R$ 11 milhões enquanto a campanha de Dilma já embolsou pouco mais de R$ 10 milhões. Mais de 90% dos recursos doados às campanhas veio de empreiteiras.

Até  o momento, destacam-se três grandes empresas responsáveis por mais da metade das doações eleitorais para presidente. A JBS (da marca Friboi), a Ambev e a empreiteira OAS respondem juntas por 65% das doações. Só a dona da marca Friboi deu R$ 5 milhões para Dilma e outros R$ 5 milhões para Aécio Neves. “Nossas doações seguem as relações que mantemos com os partidos, tanto nacionalmente quanto nos Estados”, declarou a JBS ao jornal.

Se tem uma empresa que sabe da importância de contar com o apoio e as benesses do poder é a Friboi. A empresa se tornou, no governo do PT, uma das maiores processadoras de carne do mundo. Seguindo a malfadada política da criação das “campeãs nacionais”, a JBS contou com financiamento de nada menos que R$ 10 bilhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Além dos recursos doados aos candidatos à presidência, a JBS distribuiu outros R$ 42 milhões a outros candidatos.


Aécio lidera por enquanto a arrecadação para a campanha, com R$ 11 milhões. Foto ABr

Quem paga a banda…
Essa primeira rodada de doações é só o começo. Dilma declarou à Justiça sua pretensão de arrecadar R$ 298 milhões até o final da campanha, enquanto que Aécio quer arrecadar outros R$ 290 milhões. Muitas empresas, além disso, deixam para oficializar suas doações só no final da campanha, já que a divulgação dessa última prestação só ocorre após a votação. E esses cifrões, é bom lembrar, é só o que podemos ver sendo declarados à Justiça Eleitoral, não incluindo o institucionalizado “caixa 2”.

As grandes empresas, bancos e empreiteiras não jogam dinheiro fora. As doações eleitorais são verdadeiros investimentos. Esses candidatos, após eleitos, vão governar segundo os interesses dessas mesmas empresas que os financiaram durante a campanha.  Levantamento mostra que, para cada R$ 1 real doado pelas grandes empresas, recebem R$ 8,5 em retorno após as eleições.

Lamentavelmente, até mesmo o PSOL entrou na lista das siglas que receberam dinheiro das empresas. O partido recebeu R$ 50 mil do Grupo Zaffari, uma grande rede de supermercados, que lidera o setor no Rio Grande do Sul. A candidatura Luciana Genro recebeu R$ 15 mil desse dinheiro.

O grupo Zaffari é proprietário de nove shoppings centers e teve faturamento de R$ 3,7 bilhões no ano passado. É conhecido pela superexploração a seus trabalhadores, principalmente aqueles empregados na limpeza, caixas e empacotadores, na sua maioria mulheres e negras, submetidas a condições precárias de trabalho.

É impossível manter a independência política e defender um programa dos trabalhadores recebendo financiamento das grandes empresas. Mais cedo ou mais tarde, essa política cobra o seu preço, como mostrou a trajetória do próprio PT.

 É por isso que a campanha Zé Maria Presidente e Cláudia Durans vice, assim como as candidaturas do PSTU nos estados, não recebe recursos de empresas, bancos e empreiteiras. Toda a campanha é financiada pela militância e pelos trabalhadores e a juventude que apoiam essa candidatura operária e socialista.

ACESSE o site Zé Maria Presidente