“Fomos vitoriosos, mas poderíamos ter conquistado mais”

Os bancários estão saindo de uma forte greve nacional, a segunda maior greve da categoria, que se estendeu por 25 dias (a maior foi a de 2004, que durou 30 dias). Apesar do papel desempenhado pela CUT e os sindicatos cutistas, os bancários saem vitoriosos do movimento.

A proposta aprovada garante 10% de reajuste para os salários de até R$2.500 e 8,15% para os vencimentos acima desse valor. Vale-alimentação, auxílio creche e demais benefícios também têm reajuste de 8,15%. Já com relação à PLR (Participação nos Lucros e Resultados), os bancários conquistaram um valor referente à 90% do salários (antes era 80%) mais R$966. Conquistaram também um adicional de PLR que pode variar de R$ 1320 a R$ 1980, dependendo do lucro do banco.

O Opinião Socialista conversou com Wilson Ribeiro, bancário da Caixa Econômica Federal e dirigente do Movimento Nacional de Oposição Bancária/Conlutas. Ele deu um breve quadro da greve que terminou no último dia 25 e seus resultados.

Opinião Socialista – Como começou a greve dos bancários?
Deflagramos a nossa greve já no dia 30 de setembro. Só que ela começou dividida pela ação da CUT, que orientou apenas uma paralisação de 24 horas naquele dia e indicativo de greve apenas para o dia 8. Mas nós, do Movimento Nacional de Oposição Bancária, discutimos na base da categoria a necessidade de uma forte greve o quanto antes. Isso porque já havia sinais claros da crise financeira chegando ao país, o que dificultaria a conquista das nossas reivindicações. Então, era preciso entrar em greve já no dia 30. E foi isso o que aconteceu em alguns lugares. A greve foi crescendo, ganhando mais adesões a cada dia até o dia 8.

Como se deram as negociações durante esse período?
Quando íamos tentar negociar com a direção dos bancos públicos, eles diziam que a mesa de negociação era a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos, entidade que representa os bancos privados). Nós, porém, tínhamos uma análise que era possível arrancar um acordo melhor pressionando os bancos públicos, como a CEF e o BB. Mas o Comando Nacional de Greve, dirigido pela CUT, orientou que as negociações fossem realizadas numa mesa única com a Fenaban. O resultado, aquém do que era possível, mostrou que estávamos certos.

Qual foi o papel desempenhado pela direção do movimento nesse processo?
A CUT tentou de todas as formas apresentar um calendário achatado. Negavam-se a fazer greve antes das eleições e diziam que não havia crise nenhuma, que ela não iria afetar e que os bancos brasileiros estavam bem. Ela, junto com o governo, escondeu a crise dos trabalhadores. Além disso, desvinculou a campanha salarial com as eleições e o governo. Não fizeram qualquer tipo de exigência ao governo Lula, o que desarmou a categoria.

Qual o balanço geral que você faz da greve?
Foi uma forte greve nacional, uma das mais longas de nossa história. Poderíamos ter arrancado mais, caso se fortalecesse o movimento junto aos bancos públicos e se apostasse numa mesa de negociação com a CEF e o BB. Isso pressionaria até mesmo um acordo melhor aos trabalhadores dos bancos privados. Não foi possível devido à política da CUT. O reajuste já foi praticamente todo comido pela inflação do último período, então, a categoria não sai satisfeita. Mas de qualquer forma, o acordo foi uma conquista da luta dos bancários, que saem fortalecidos para próximas mobilizações.

Como sai a Oposição Bancária dessa greve?
O Movimento Nacional de Oposição Bancária sai bastante fortalecido. Pode-se ver pelas assembléias. A oposição é sempre aplaudida pelo pessoal que faz greve e vaiada por quem fura greve. Os sindicatos que estão conosco também saem fortalecidos, tendo o reconhecimento da categoria, algo bem diferente dos sindicatos ligados á CUT, como São Paulo e Rio de Janeiro, bastante desgastados na base.

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