Famílias da Ocupação Esperança intensificam mobilização contra ameaça de despejo


Sem-teto vão resistir e alertam que caso haja reintegração de posse, prefeitura de Osasco será responsável por um novo Pinheirinho

As cerca de 600 famílias da Ocupação Esperança, em Osasco (SP), estão há sete meses  tentando negociar com a prefeitura uma solução definitiva de moradia para os sem teto.

O movimento Luta Popular, ligado à CSP-Conlutas, responsável pela ocupação, tem realizado marchas, reuniões com a prefeitura e ao mesmo tempo recorrido à justiça buscando o diálogo para o impasse.

A juíza responsável pelo caso deu um prazo para que a Prefeitura de Osasco se manifestasse com alternativas de moradias para as famílias, já que o terreno é particular e o dono entrou com pedido de reintegração de posse. Contudo, sete meses se passaram e a prefeitura manteve-se inerte.

O prazo dado pela juíza expirou no último dia 12 de março e foi determinada a reintegração de posse do terreno. Contudo, voltou atrás de sua decisão após lideranças do movimento protocolarem um laudo técnico que atesta a possibilidade de no terreno ser construída casas para as famílias, bem como um conjunto de documentos que atestam a possibilidade da construção de moradias em outros terrenos.

Foi dado pela juíza um prazo de mais 30 dias para que a prefeitura se manifeste. Até lá, o Luta Popular promete intensificar a mobilização.

De acordo com a integrante do Luta Popular, Helena Silvestre, as famílias vão lutar por seu direito à moradia. “Há seis meses estamos em luta. Apresentamos diversas possibilidades para a construção de casas, inclusive, em terrenos alternativos. Cadastramos as famílias em juízo e buscamos negociar. Mas o que temos visto é a omissão por parte da prefeitura. Tudo o que conseguimos até o momento foi em juízo”, frisa Helena.

Para a dirigente, mesmo o terreno sendo privado, é de responsabilidade do governo do PT a dar uma solução de moradia para as famílias que ali estão. “O prefeito foi eleito para dar conta das políticas públicas que passa também pelo déficit habitacional em Osasco”, denuncia.

De acordo com o movimento, em Osasco, 43 mil famílias estão cadastradas no Programa Habitacional do Governo, Minha Casa Minha Vida, há mais de cinco anos, e não conseguem moradia.

As famílias da Ocupação Esperança prometem resistência, caso haja reintegração de posse. “Vamos cobrar, fazer mobilizações, vai haver resistência. E a prefeitura será responsável por um novo Pinheirinho se não tomar as providências necessárias e nos dar alternativas de moradia”, alertou Helena.