Fala Valdir: candidato à prefeitura de Fortaleza (CE)

Quais são os principais problemas que o povo enfrenta em Fortaleza?

O maior é o desemprego, que afeta mais de 20% da população. Depois, vem a falta de moradia. Hoje existem 165 mil famílias que não têm lugar para morar. Além disso, temos um péssimo e caro sistema de transporte; na educação pública faltam salas de aulas e professores, somados aos baixos salários. Há ainda uma caótica situação do sistema de saúde pública.

Quais são os candidatos à Prefeitura de Fortaleza?

Destacam-se os três candidatos dos partidos burgueses tradicionais (PMDB/PSDB/PFL) e dois da Frente Popular, que saiu dividida: Inácio Arruda, do PCdoB, com apoio das correntes petistas Articulação e Democracia Radical e do PCB, e Luzianne Lins (PT) que tem apoio da esquerda petista.

Por que PT e PCdoB se dividiram nas eleições?

Por disputa de poder. As duas candidaturas apóiam o governo federal. Inácio tem sido um fiel escudeiro do governo, votando a favor da reforma da Previdência e do salário mínimo de R$ 260. Ele tem como vice um ex-deputado do PPS. Luzianne Lins assinou um acordo comprometendo-se a não fazer nenhuma crítica ao governo federal e defendê-lo caso seja criticado.

Foi por esse motivo que o PSTU lançou candidatura própria?

Sim. Os sucessivos governos só têm olhado para os ricos e nós temos clareza que precisamos ter uma campanha que coloque os problemas do povo pobre. Todos as outras candidaturas fazem demagogia dizendo que vão resolver os problemas. Na verdade, todos eles defendem a continuação do atual modelo. Nós dizemos claramente que essa situação só pode mudar se rompermos com o FMI e a Alca e pararmos de pagar a dívida. Com isso poderíamos pôr um fim a essa política econômica.

Fortaleza viveu uma grande mobilização pela questão do transporte coletivo. Como foi a participação do PSTU?

Participamos ativamente da mobilização e da organização dessa luta. Nossa bandeira é a da manutenção do meio-passe rumo ao passe-livre e contra o fim do vale-transporte. Para isso, defendemos a estatização do sistema de transporte coletivo. Acreditamos que só com a luta direta do povo poderemos derrotar essas políticas que tiram direitos dos trabalhadores e da juventude. A burguesia da cidade tentou o tempo todo colocar a pecha de baderneira na juventude, mas todas as pesquisas mostraram o grande apoio que a população deu aos estudantes. A grande ausência foi dos parlamentares da “esquerda” que não apareceram em nenhum momento, mesmo quando houve grande repressão e dezenas de ativistas presos.

Como o PSTU está vendo esse processo eleitoral?
Estamos vendo uma indignação muito grande por parte da população por conta das ilusões que tinham no governo Lula e no PT. O que leva a enxergar todos os candidatos como iguais. Achamos positivo esse sentimento, pois para construirmos o novo temos de destruir o velho. Precisamos canalizar toda essa indignação para a luta direta e organizar uma oposição de esquerda ao governo Lula.
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