Estudantes ocupam reitoria da Universidade Federal de Sergipe

De forma irreverente, estudantes entram na reitoria
Zeca de Oliveira

Eles reivindicam melhorias na residência universitária, que hoje é precáriaEstudantes ocupam reitoria da Universidade Federal de Sergipe desde a quinta-feira, 30 de outubro. Na pauta de reivindicações, está a melhoria das condições de assistência estudantil dos residentes do campus da cidade de Laranjeiras. Em conjunto com os estudantes do campus da cidade de São Cristóvão, na manhã do mesmo dia, eles realizaram um cortejo pelo centro daquela cidade, conversando com a população sobre as situações absurdas em que vivem esses estudantes.

Em seguida, os manifestantes se dirigiram até o campus de São Cristóvão, onde fica localizada a reitoria. Com interpretações teatrais, lúdicas, mas incisivas, os manifestantes chamaram a atenção de todos na universidade.

Os responsáveis da reitoria pela assistência estudantil se viram obrigados a negociar com os estudantes. Porém, após reunião de mais de duas horas, os ativistas não se deixaram levar pelas promessas deslavadas e sem nenhuma forma de garantia. Apesar da bela retórica, a reitoria não atendeu às principais reivindicações dos estudantes.

Indignados, os residentes de Laranjeiras, apoiados pelos estudantes de São Cristóvão e de ativistas da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), resolveram ocupar a sala da Coordenação de Assistência aos Estudantes (Codae). De lá, só sairão quando a pauta de reivindicações for atendida.

Absurdo
Após muita luta, os estudantes que deixaram sua terra natal para realizar o sonho do curso universitário conseguiram que a reitoria cedesse uma residência. Porém as condições da casa que o dinheiro que a Codae pôde proporcionar eram subumanas.

Alface e tomate. Esse foi o almoço dos residentes de Laranjeiras do último final de semana antes da ocupação. Mesmo assim, essa refeição “super-nutritiva” não foi adquirida pelo dinheiro da bolsa alimentação fornecida pela Codae, coordenada pela assistente social Neilza Barreto. Os residentes formam à feira pedir aos verdureiros.

A bolsa fornecida para a alimentação dos estudantes, inicialmente, era de R$80 para nove pessoas. Após lutas dos residentes, a bolsa foi elevada para R$80 por estudante. Mesmo assim, esse valor é o suficiente apenas para proporcionar três refeições de R$0,88 cada, por dia.

O residente de Laranjeiras do curso de Teatro, Estevão Andrantos, relata que há mais de dois anos, eles são enganados com as promessas da reitoria. “Faz dois anos que vínhamos conversando com a Proest (Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis) e recebemos apenas promessas”, conta.

Cansados da situação degradante e humilhante na qual viviam, os residentes foram à luta e decidiram dar uma resposta à altura aos ataques promovidos contra à universidade pública. O apoio da Conlutas e do Sindipetro-AL/SE tem sido fundamental para o fortalecimento da ocupação.

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