Estudantes da Universidade Federal de Pelotas ocupam reitoria

Estudantes de Pelotas lutam pelo direito de comer e estudar

No último dia 17 de fevereiro, na cidade de Pelotas, Rio Grande do Sul, os alunos da UFPEL (Universidade Federal de Pelotas) ocuparam o prédio da assistência estudantil.

A ocupação teve inicio às 9h, onde vários estudantes tomaram o prédio como ato reivindicatório. A ocupação foi forçada pela falta de diálogo e total descaso da Universidade para com os alunos carentes da instituição, que já de longa data sofrem um processo de cancelamento de benefícios que possibilitam sua permanência como alunos da mesma.
O transporte para o Campus Universitário que fica no município vizinho do Capão do Leão, que não era cobrado, e tinha o subsídio da instituição foi retirado no ano de 2003, sendo que os alunos que antes tinham o transporte de forma livre, agora são obrigados a pagar pelo mesmo. Os que não podem arcar com as passagens recebem auxílio transporte, sendo que para tanto tem que se cadastrar. Progressivamente muitas linhas que vinham de bairros afastados do centro da cidade de Pelotas, vem sendo subtraídas, forçando os alunos destes bairros tenham a arcar com as despesas do transporte do seu local de moradia até o centro da cidade, onde parte o transporte para o Campus.
No ano de 2003, também foi fechado o Restaurante Universitário (RU), fazendo com que centenas de alunos tenham que procurar locais alternativos para fazerem suas refeições.O RU, até o ano passado, fornecia alimentação gratuitamente, sendo que gradualmente foi privatizado até culminar com seu fechamento.
A gota d’água para o protesto foi o não repasse da bolsa alimentação, que desde o dia 19 de janeiro não vem sendo distribuída aos alunos carentes. Repasse que deveria ser feito até o terceiro dia útil de cada mês. Muitos alunos moradores da Casa dos Estudantes ficaram dependentes da bondade de comerciantes que, sensibilizados, mantém crédito aberto para que os mesmos se alimentem. A bolsa alimentação é de três reais por refeição e são fornecidas duas por dia.
De forma resumida o que levou ao protesto foram três principais reivindicações:

 O repasse da Bolsa Alimentação, interrompida desde o dia 19 de janeiro.
 A reabertura do restaurante universitário, o conhecido RU.
 Voto universal para a escolha do reitor.

Os alunos organizados pela AMCE (Associação dos Moradores da Casa do Estudante), gestão Reação, tiveram o apoio dos sindicatos da Alimentação, dos Metalúrgicos, ADUFPEL, ASUFPEL, Grêmio Estudantil do CEFET-RS e apoio de diversos integrantes do movimento estudantil e sindical.
Os alunos tiveram um posicionamento de confronto com a reitoria da UFPEL e “cravaram o facão no toco”, enquanto não fossem atendidas as suas reivindicações não desocupariam o prédio. Foi formada então uma mesa de negociação dentro do prédio ocupado, mesa que contava com os representantes dos estudantes, o Vice-reitor em exercício e a procuradoria da instituição. Tendo ambos os lados à intermediação de um juiz federal que se prontificou para tanto.
As negociações ocorreram até às 20h45min, quando foi iniciada uma assembléia para que os alunos ocupantes deliberassem sobre o que fora acordado na reunião. Foi informado para a assembléia que o dinheiro da bolsa alimentação seria depositado nas contas no dia 18 e que o vice-reitor ligaria para o banco para que acelerasse o processo burocrático do mesmo, liberando o dinheiro se possível até às 13h do mesmo dia. Os três processos já instaurados contra três alunos identificados na invasão seriam retirados se o prédio fosse desocupado, e caso não houvesse danos ao mesmo. Os alunos deveriam desocupar o prédio naquele momento.
Após horas de debates acalorados os alunos decidiram desocupar o prédio e ficarem acampados na frente do mesmo, mobilizados e atentos ao depósito da bolsa alimentação e a uma reunião que será realizada na reitoria às 15h de quarta-feira, dia 18-02, na qual serão discutidas outras reivindicações.
Esperemos que a UFPEL tenha um mínimo de dignidade e solucione este problema tão básico ao ser humano, ou seja, o direito de poder estudar e comer ao mesmo tempo.