Estudantes argentinos ocupam Reitoria da UBA

BENTO JOSÉ,
de Buenos Aires

``FotoOs estudantes da Faculdade de Ciências Sociais ocuparam a reitoria da Universidade de Buenos Aires – UBA. Para se verificar o quão esse movimento é importante basta se levar em conta que a UBA é uma universidade de mais de 260.000 estudantes e a Faculdade de Ciências Sociais, por sua vez, possui mais de 20.000 estudantes. De fato, dadas essa proporções, a partir deste conflito pode ocorrer a generalização da mobilização dentro da UBA, o que colocaria pela primeira vez o movimento estudantil sendo um dos atores do processo revolucionário argentino.

Na Argentina, desde os tempos do peronismo os dois principais partidos burgueses são a União Cívica Radical – UCR e o Partido Justicialista – PJ. A UCR representa a corrente burguesa chamada de “radicalismo“, da qual o ex-presidente Alfonsin foi um expoente. O PJ, por seu lado, representa o peronismo.

Com a queda de De La Rua, a UCR não tem mais do que dois por cento no apoio popular. Esse partido atua no movimento estudantil com o nome de Franja Morada. Desde o processo de redemocratização da Argentina, a UCR teve o controle completo sobre o aparato do movimento estudantil e também eram de seus quadros os principais dirigentes das universidades argentinas. Antes da queda de De La Rua, a Franja Morada já começava a perder tal controle, sendo derrotada pela esquerda na disputa da direção dos principais centros estudantis da Universidade de Buenos Aires, da federação estudantil de Buenos Aires e de vários centros estudantiSdo interior do país.

Depois da queda de De La Rua este processo se ampliou e a Franja Morada está sendo derrotada na Universidade de Buenos Aires, passando a esquerda a assumir a direção da maior parte do movimento estudantil argentino. O processo não parou neste marco, iniciando-se um enfrentamento com as autoridades universitárias (reitor, diretor de faculdade, coordenadores de curso, etc) exigindo eleição direta para todos os cargos com critério de voto universal.

A vanguarda dessa luta é a faculdade de Ciências Sociais que elegeu e garantiu a posse de um diretor eleito com critério de voto universal, o qual é um militante do Partido dos Trabalhadores ao Socialismo – PTS.

O movimento estudantil universitário não teve nenhuma mobilização importante desde a revolta generalizada de 19 e 20 de dezembro de 2001, que derrubou cinco presidentes em sequência. Na UBA o único curso que desenvolveu um processo importante de luta foi o de Sociologia, que elegeu de forma direta e com voto universal o acima citado diretor de carreira. Nesse período todo a faculdade de Ciências Sociais foi desenvolvendo uma luta por um edifício único para sua faculdade. Hoje a ocupação da reitoria se dá com a seguinte pauta:

1- Fim do processo contra os universitários Martín Ogando e Sergio Salgado, perseguidos pelas autoridades da UBA.
2. Por um edifício único para a Faculdade de Ciências Sociais diante dos problemas de funcionamento.
3. Aumento do orçamento para o funcionamento normal da instituição e para assegurar a continuidade de uma Universidade Pública e Gratuita.
4. A favor da eleição direta das carreiras. Contra a intervenção da Sociologia pelas autoridades da UBA.
5. Pela normalização do regime de bolsas de ajuda econômica para os estudantes de toda a UBA.

``FotoOs companheiros podem pensar que é uma pauta muito especifica e com renvidicações mínimas, mas ela responde aos temas centrais da atual situação da universidade e da sociedade argentina.

O primeiro ponto é a exigência do cancelamento do processo judicial contra dois companheiros de Ciências Sociais que tiveram envolvidos em conflito há dois anos atrás. Esta reivindicação acontece uma semana depois que se conseguiu a liberdade de Raul Castell e na conjuntura que vários companheiros dos movimentos sociais podem serem levados a julgamentos dos próximos meses. Também neste momento começa a ver um aumento importante na repressão por fora do aparato estatal do movimento de massas. Isto significa que a UBA retire o processo contra os companheiros é uma bandeira que tem um grande peso no movimento de massas neste momento.

A exigência de novo edifício e maior orçamento se coloca no momento que o FMI exige mas ajuste e por isso o governo não garante as condições necessária para os estudantes estudarem. Inclusive atrasando o repasse de orçamento para as universidades.

``HebeA exigência de democratização da UBA é um elemento fundamental porque hoje pelo mecanismo antidemocrático que a UBA elege os seus dirigentes exige um controle do radicalismo na direção da UBA. Esta situação é absurda o radicalismo foi expulso do aparato central do estado com a queda de De La Rua, mas continua controlando a universidade mais importante do país. Esta situação faz que a luta por democratizar a UBA possa ser um dos motivos que construa um importante ascenso dentro do movimento estudantil argentino. Na atual situação política argentina, qualquer conflito razoavelmente importante tende a funcionar como detonador de outros.

É urgente impulsionar uma campanha de solidariedade aos estudantes argentinos. Solicitamos aos Diretórios Centrais de Estudantes, Centros Acadêmicos, diretores da União Nacional dos Estudantes e de Uniões Estaduais de Estudantes, Associações Docentes e Sindicatos de Servidores que enviem moções de apoio exigindo que a reitoria atenda as reivindicações dos estudantes.

Os e-mail devem ser mandados para Secretariafuba@yahoo.com.ar e com cópia para bentojose@uol.com.br.
O processo revolucionário em curso na Argentina agradece o apoio de todos!