Entrevista: Amauri Fragoso de Medeiros

`FotoAmauri Fragoso de Medeiros integra a seção sindical do ANDES-na Universidade Federal de Campina Grande (PB). Amauri fala nesta entrevista sobre o governo, a greve e sua filiação ao PSTU

Qual a sua avaliação destes nove meses de governo?

Não esperávamos uma mudança tão rápida com relação a algumas bandeiras do PT, que atualmente pode significar “Partido Transgênico”. O desemprego atinge os 15 % e o salário médio é o mais baixo desde 1985. O governo prometeu assentar 60 mil famílias em 2003, mas assentou menos de 5 % disso e cortou o orçamento. As reformas (melhor seria contra-reformas) retiram direitos. A da Previdência, cujo pano de fundo é a implementação dos fundos de pensão para beneficiar o capital especulativo, satanizou o servidor, numa campanha nunca vista. A reforma tributária mantém o Estado financiado pelos trabalhadores e a trabalhista vem no sentido de extinguir 13o e férias.
O governo atende o FMI, e ainda paga adiantado, quando pratica um superávit primário maior do que imposto pelo fundo. Para quem acredita em mudanças, uma indicação de que está se iniciando uma dura batalha.

Como foi a greve em Campina Grande?

A greve atingiu vários setores do funcionalismo, como a universidade, o INSS e a Justiça federal, e criamos um fórum em defesa da Previdência. A maior vitória foi a reordenação do movimento sindical, com a ruptura com sindicalistas que mudaram de lado e tentavam barrar o movimento. Foi uma experiência válida, pois teremos outros embates, e já sabemos o quão truculento e antidemocrático o governo irá se mostrar.

Você recentemente filiou-se ao partido. Por que é importante militar no PSTU?

Minha filiação é resultado de uma reflexão sobre o que está acontecendo. O PSTU é vanguarda no enfrentamento ao neoliberalismo. Sou doutor em Geofísica Espacial e não tenho uma formação ideológica apurada. Porém, compreendo que a sociedade é movida pela luta de classes. A militância em um partido cumpre um papel de reflexão sobre o funcionamento da sociedade e de organizar a classe para a luta. Um partido permite combater a alienação imposta pela própria sociedade.

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