Encontros preparam o Conat

O II Encontro Nacional da Conlutas, que reuniu em Brasília mais de 1.700 ativistas de mais de uma centena de sindicatos e movimentos sociais e populares de todo o país, decidiu convocar o Congresso Nacional de Trabalhadores (Conat) para os dias 28, 29, 30 de abril e 10 de maio de 2006.

A construção do Conat é um momento histórico, pois busca fundar uma organização nacional de caráter sindical e popular que seja uma alternativa de direção para a classe trabalhadora, depois que a CUT se transformou em ministério e não cumpre mais essa função. Mas, além de ter o desafio de preencher o vácuo deixado pela CUT, o Conat também é histórico, pois as bases para o nascimento dessa nova entidade nacional são diferentes da velha estrutura cutista.

Desde o seu nascimento, a Conlutas está sendo construída de forma mais ampla, aglutinando trabalhadores, movimentos sociais e juventude, e também de forma mais democrática, com uma ampla discussão nas bases das categorias sobre a estrutura da nova organização. Por isso, as discussões que já estão ocorrendo em assembléias e encontros por todo o país nesses meses que antecedem o Conat são tão importantes quanto o próprio Congresso.

Veja abaixo alguns informes sobre encontros que já estão discutindo a importância do Conat.

Pará deu a largada
Elton Corrêa, de Belém (PA)

O encontro sindical e popular organizado pela Conlutas do Pará, em 15 de outubro, no Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, foi uma amostra da capacidade de reorganização política que vive o movimento no estado.

O auditório ficou pequeno para os 140 presentes. Há que se destacar a participação dos operários da construção civil, que chegaram com delegados escolhidos nos canteiros de obras. Membros dos comandos de greve da educação federal (UFRA e UFPA), telefônicos, além das oposições de correios, bancários, educação, justiça federal, urbanitários e servidores estaduais estiveram no encontro. O movimento estudantil da UFPA, UFRA (rural) e UEPA (universidade estadual) também teve uma grande delegação. O Encontro contou também com camponeses, ativistas do movimento popular e do meio-ambiente do bairro da Terra Firme e Aurá.

Importantes deliberações foram tomadas, entre elas um calendário de discussões nos próximos três meses na base das categorias, enfatizando o caráter e os objetivos da alternativa que queremos construir, assim como idas a sindicatos para aproximá-los desse projeto audacioso. Também haverá um acompanhamento dos processos de ruptura com a CUT e de filiação à Conlutas, como está previsto que ocorra em novembro nos congressos de servidores federais (SINTSEP) e trabalhadores da justiça estadual (SINJEP).

A previsão é de mais de 200 delegados do Pará no Conat.

Conlutas faz Encontro no ABC
Emannuel Oliveira, de São Bernardo do Campo (SP)

No dia 30 de outubro, ocorreu o 10 Encontro da Conlutas do ABC paulista. Esse encontro é de grande importância, pois foi lá que nasceram a CUT e o PT e essa região continua sendo uma das maiores concentrações operárias do país.

O encontro foi em Santo André e contou com 110 participantes representando vários sindicatos, entre eles Servidores de Santo André, Mauá e Sinpro (Sindicato dos Professores da Rede Particular), várias oposições: metalúrgica, petroleiro, correios, professores estaduais (Oposição Alternativa) das cidades de: Diadema, Santo André, São Bernardo, Ribeirão Pires, Mauá e São Caetano. Participaram também estudantes de várias faculdades da região e de escolas secundárias e os partidos de esquerda PSTU, POM. Esteve ausente o P-SOL.

O encontro foi dedicado às lutas das diversas categorias, em especial à greve na Volks, que durou 25 dias. Pela manhã, no debate sobre situação nacional, houve cinco apresentações. Em seguida, foi aberta a palavra ao plenário e os debates foram acalorados, dadas as diferenças sobre o tema. Edgard, da Apeoesp e do PSTU, foi um dos que ressaltaram a importância do chamado ao Fora Todos!

Na parte da tarde, o debate foi sobre o caráter da Conlutas. Nessa discussão, o plenário foi dividido em grupos. A ampla maioria defendia uma central sindical que tenha em seu seio organizações de sem-terra e sem-tetos, os movimentos de desempregados e os estudantes.

Ao final dos grupos, foram lidos em plenário os relatórios e as contribuições, que serão enviados para a Coordenação Nacional. Também foram marcados mais dois encontros. A plenária também aprovou a participação no ato contra Bush e o apoio à chapa de oposição nas eleições do Sindicato dos Servidores Públicos de Guarulhos.

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