Encontros preparam a luta contra as reformas de Lula

As coordenações estaduais buscarão unificar as lutas do campo e da cidadeA luta contra as reformas Sindical e Trabalhista começa a se fortalecer. Encontros realizados em oito estados, nos dias 23 e 24 de abril, reuniram mais 270 entidades dos movimentos sindical e popular. Em todos eles não faltou disposição para unificar as lutas da cidade e do campo contra as reformas neoliberais do governo Lula. Para isso foram criadas coordenações estaduais, chamadas de Celutas.

Nos encontros, os exemplos de mobilizações chegavam de todas as regiões, como a dos servidores federais, que vão à greve no dia 10 de maio. Por isso, foi aprovada a solidariedade às greves e ocupações.

A manifestação do dia 16 de junho, em Brasília, foi reafirmada em todos os encontros, assim como a organização de novos seminários, encontros regionais e atos públicos. Os sindicatos que participaram dos eventos vão reproduzir o jornal feito pela Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) e trabalhar com a cartilha — publicada pelo Instituto latino-Americano de Estudos sócio-Econômicos (Ilaese) — que explica as reformas e seus efeitos.

RAIO X DOS ENCONTROS

  • Pará
    Reuniu 200 militantes do movimentos sociais. Estavam lá, os auditores fiscais, que a partir do dia 26 entrarão em greve por tempo indeterminado. Professores da Universidade Federal do Pará, trabalhadores da construção civil, o Movimento Mulheres do Tucuruí, o MTRI e Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Madereira estavam no encontro.

  • Pernambuco
    Com 150 ativistas, de 12 entidades dos movimentos sindical e popular, o Encontro foi marcado por uma polêmica com Edílson, da Esquerda Socialista e Democrática (ESD), que se colocou contra a formação de uma Coordenação Estadual de Lutas, posição que foi derrotada pelo plenário.

  • Rio Grande do Norte
    Houve uma ampliação do Celutas local, formado durante a luta contra a reforma da Previdência. O Encontro reuniu 205 pessoas, de 11 entidades, com destaque para a participação de trabalhadores bancários e do movimento popular. Para construir o movimento, cada uma das entidades presentes se comprometeu a contribuir com 3% de sua arrecadação para a consolidação do Celutas.

  • Sergipe
    O Encontro reuniu 76 trabalhadores, representando diversas entidades, como a Federação dos Trabalhadores da Agricultura de Sergipe (Fetase), o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de  Malhador, Simão Dias e Poço Verde, o Sindipetro, o Sinditextil, o Sintel, dentre outras. Por ampla maioria foi aprovada uma Campanha contra as Reformas do governo Lula, com a impressão de 10 mil jornais da Conlutas e aquisição de duas mil cartilhas do Ilaese.

  • Minas Gerais
    O Encontro reuniu 539 delegados credenciados e mais de 600 trabalhadores. Noventa e nove entidades dos setores público e privado, do campo e da cidade, estavam representadas. Segundo Oraldo Paiva, da Federação Democrática Metalúrgica de Minas Gerais e da direção do PSTU, “foi o maior encontro estadual inter-categorias realizado em Minas nos últimos anos, isto demonstra que é possível a unificação de todas as lutas contra com o governo Lula”.

    As confederações nacionais ligadas ao Fórum Sindical dos Trabalhadores — turismo e hospitalidade, trabalhadores no comércio e bancários — enviaram representantes. O presidente da FETAEMG (Federação dos Trabalhadores na Agricultura/MG), Vilson Luis da Silva, afirmou que o compromisso da entidade, a maior federação estadual de trabalhadores rurais do país (com 500 sindicatos filiados), é o de estar na linha de frente de combate às políticas neoliberais do governo. O Coordenador Estadual do MST, Dativo, lembrou as 46 ocupações de terra em curso no país, neste momento e afirmou que “a esperança neste governo já morreu. Agora resta o caminho da luta”.

  • Piauí
    Com a presença de professores da Universidade Federal do Piauí, trabalhadores da construção civil e a oposição dos professores da rede pública, o Encontro reuniu 87 pessoas, de 17 entidades.

  • São Paulo
    Cerca de 800 ativistas, de mais de 60 entidades de todo o estado — com destaque para os servidores municipais —, reafirmaram a necessidade de uma coordenação que reúna os sindicatos combativos, a juventude e os movimentos sociais, algo ainda mais urgente ante ao atual papel desempenhado pela CUT. “O PT detém o governo federal, e a CUT segue aquilo que o partido e o governo determinam”, denunciou Afonso, dirigente do Sindicato dos Servidores Municipais de Campinas e militante do PCdoB, que estava no encontro, apesar do seu partido ser base de apoio do governo Lula.
    “As nossas lutas específicas só progridem no interior das lutas gerais dos trabalhadores”, explicou Francisco Miraglia, vice-presidente da Adusp. Dirceu Travesso, diretor da CUT/SP e da Direção Nacional do PSTU, defendeu que “unificar as lutas está na ordem do dia. Por isso a construção de uma coordenação estadual de lutas é primordial para dar conta dessa tarefa.”

  • Santa Catarina
    Com 220 participantes, de 31 entidades (incluindo centros acadêmicos e movimentos populares), o Encontro decidiu que a Coordenação Estadual de Santa Catarina (Celutas) vai se fundir ao comitê contra Alca, unificando as duas campanhas.

    Colaboraram: Cacau (Belo Horizonte), Clarckson (Sergipe), Andréia Menezes (Florianópolis) e Romier Souza (Pará).

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