Encontro Internacional de Mineiros, na Bolívia, aprova manifesto contra a crise

Um chamado da Federação Sindical dos Trabalhadores Mineiros da Bolívia à luta e a unidade internacional dos trabalhadoresCom a participação de cerca de 100 mineiros, representantes da Central Operária Boliviana (COB), da Coordenadora Nacional de Lutas (Conlutas), da Federação Sindical dos Trabalhadores Mineiros da Bolívia (FSTMB), do Sindicato Misto de Trabalhadores Mineiros de Huanuni (SMTMH), do Sindicato de Trabalhadores da Mina Solução (em La Paz), do Sindicato dos Trabalhadores Mineiros de Ouro Preto (Brasil), e do Sindicato de trabalhadores mineiros sub-contratados de Marcona (Peru), realizou-se no dia 25 de novembro o Seminário Internacional Mineiro, em Huanuni. Nessa localidade encontra-se a maior mina estatal da Bolívia, que emprega mais de cinco mil trabalhadores.

O seminário teve o objetivo de realizar uma discussão sobre a crise econômica mundial e seus efeitos na exploração mineira na América Latina, além de discutir como os trabalhadores e suas organizações um programa de ação para atuar diante da crise. Este encontro deu um passo importante na unidade dos trabalhadores e dos povos latino-americanos, pois ocorre numa conjuntura de profundos ataques à classe operária boliviana.

Hoje, em meio da crise econômica mundial, os preços dos principais minerais produzidos na Bolívia estão em queda livre. Dezenas de empresas privadas já anunciam o fechamento das minas e a demissão de milhares de operários. O fantasma do desemprego em massa, como ocorreu em 1985, volta a assustar o povo boliviano, enquanto o governo de Evo Morais contínua com o discurso de que a crise mundial não será sentida com tanta força no país.

Mas diferente do que pensam e falam os governos de América Latina, as organizações que convocam o Seminário Internacional Mineiro entendem que o único caminho é a organização e a luta unificada de todos os trabalhadores do mundo.

Os colegas da Conlutas, Dirceu Travesso, e Julio Freitas, dirigente sindical mineiro dos trabalhadores da Vale, intervieram sobre a crise econômica e a situação do movimento sindical braseiro. O dirigente mineiro Roni Cueto, de Marcona, Peru, explicou a situação dos mineiros naquele país. Falaram sobre a Bolívia, Guido Mitma, ex-dirigente do sindicato de Huanuni e atual secretário executivo da FSTMB; Roberto Chávez, trabalhador de base da Empresa Huanuni e ex-dirigente da FSTMB; o colega Miguel Zubieta, ex-secretário executivo da FSTMB nas jornadas de lutas de outubro de 2003 que representa o sindicato de Huanuni; e Carlos Trujillo, atual secretário Geral.

Unidade e solidariedade internacional para retomar o controle e defender nossos recursos naturais, empregos e direitos
A conclusão dos representantes mineiros dos três países representados no Seminário foi de que só a luta e a mobilização poderão impedir que os trabalhadores e povos de nossos países vivam mais penúria e miséria em função da crise criada pelos capitalistas.

Essa luta, para defender de maneira coerente nossos empregos e direitos, deve apontar o centro do problema: enquanto nossos recursos naturais estiverem nas mãos dos interesses dos capitalistas internacionais, eles sempre estarão a serviço de seus ganhos e só gerarão miséria e degradação ambiental.

A única saída possível para nos defender é a luta pela reestatização, sem indenização e sob controle dos trabalhadores, de todos nossos recursos naturais. E exigir de todos os governos do continente que retomem o controle estatal e nacional de nossos recursos naturais, sem nenhuma indenização, e ao mesmo tempo garantias dos empregos de todos os trabalhadores.

Assinar um pacto de solidariedade e buscar a construção de nossa unidade para enfrentar os ataques;

  • Fazer um chamado ao conjunto dos trabalhadores latino-americanos, em especial aos mineiros e suas organizações para construir uma luta unitária em defesa da reestatização sem indenização de nossos recursos naturais, de nossos empregos e direitos;
  • redigir um manifesto com as conclusões do Seminário que será aprovado numa reunião das organizações presentes, em La Paz no dia 28 de novembro.
  • Convocar um dia de luta, no mês de dezembro, onde se realizarão atividades nas bases mineiras da cada país; nessas atividades, vamos fazer o lançamento do manifesto e o chamado à unidade continental de nossa classe;
  • Discutir a possível realização de um novo Seminário, ou Encontro, para o início do próximo ano chamando os mineiros e suas organizações em outros países para se unir nessa luta;
  • Iniciar uma campanha de solidariedade concreta contra os ataques, como o caso do fechamento da Mina Solução de La Paz (Bolívia) e outras já em curso no continente.

    A crise chegou e ela não é nossa. Que os imperialistas e especuladores paguem pela crise
    Foram mais de duas décadas de entrega de nossas reservas naturais através das privatizações, da abertura e subordinação de nossas economias aos interesses do capital internacional, das reformas contra nossos direitos trabalhistas, direitos sociais e de aposentadoria.

    Durante esses anos presenciamos em todo continente um assalto brutal as recursos naturais, em especial os minérios. Hoje, praticamente toda a atividade de exploração mineira se encontra nas mãos de empresas privadas – em sua imensa maioria diretamente em mãos dos grandes grupos multinacionais. Bilhões e bilhões são lucrados ao custo da exploração de nossa mão de obra, da devastação e degradação ambiental que tem conseqüências profundas para a vida de nossos povos.

    Apesar de todas tentativas para afirmar que a crise econômica seria simplesmente uma crise financeira e de crédito, cada dia fica mais claro a verdadeira natureza dessa crise: trata-se de uma crise clássica, estrutural do capitalismo, de superprodução, onde a crise financeira e outros aspectos se generalizam e a aprofundem de maneira mais ampla e rápida.

    Também, governos e empresários tentaram dizer que a crise não afetaria nossos países. A realidade revelou que eles esperam “nos tranqüilizar” para que não lutemos e não resistamos contra a catástrofe gerada pelo imperialismo.

    A queda brutal das exportações e do preço dos minérios deu início a um processo de férias coletivas antecipadas, suspensão de contratos de trabalho e fechamento de minas no Brasil, Bolívia e outros países.

    Por isso nosso chamado para organizar a luta e a resistência em defesa de nossos empregos, salários, direitos e soberania nacional. Pela recuperação de nossas reservas nacionais, sem nenhuma indenização para os saqueadores internacionais.
    A Federação Sindical de Trabalhadores Mineiros da Bolívia, junto a seus filiados, proclama que fará respeitar a estabilidade no emprego e o respeito a nossas fontes de trabalho tal qual diz nossa Constituição Política do Estado.

    DEFESA DOS EMPREGOS, SALÁRIOS E DIREITOS !!

    NACIONALIZAÇÃO SEM INDENIZAÇÃO PARA GARANTIR EMPREGOS E A SOBERANIA NACIONAL !

    QUE OS EMPRESÁRIOS E ESPECULADORES PAGUEM PELA CRISE!

    FORA O IMPERIALISMO DE AMERICA LATINA!

    VIVA A UNIDADE DOS TRABALHADORES!

    VIVA OS MINEIROS DE BOLÍVIA!

    VIVA OS MINEIROS LATINO-AMERICANOS!

    FEDERACÃO SINDICAL DOS TRABALHADORES MINEIROS DA BOLÍVIA

    La Paz, 25 de Novembro de 2008

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