Empresários organizam comitê pró-Lula e querem reforma trabalhista no programa de governo

Ao mesmo tempo em que CUT, UNE e demais organizações que representam o governo nos movimentos sociais organizam com estardalhaço um dia nacional de campanha pela reeleição, um grupo de grandes empresários prefere a discrição para arquitetar seu apoio a Lula. Trata-se do “comitê pró-Lula”, um grupo em formação que reúne, até o momento, 11 empresários que apóiam a candidatura de Lula.

O comitê se reuniu há três semanas com o coordenador da campanha petista e prepara agora um documento de propostas para o programa de governo de Lula. A principal reivindicação do setor é a incorporação da reforma Trabalhista no programa, ainda que Lula tenha se comprometido desde a atual gestão com a medida.

No dia 12 de julho, em entrevista ao blog do jornalista Josias de Souza, o principal representante do comitê, o empresário Lawrense Pih, proprietário do maior moinho de trigo da América Latina, defendeu abertamente a completa retirada de direitos dos trabalhadores. O empresário alega que os “privilégios” dos trabalhadores brasileiros impedem que o país seja suficientemente competitivo no mercado externo.

Para contornar essa situação, Pih defende a retirada desses privilégios, ou seja, a simples exclusão dos atuais direitos trabalhistas. “Ou enfrentamos a concorrência mundial, que é impiedosa, ou garantimos direitos e privilégios”, afirmou o empresário. Para isso, conclama a flexibilização dos direitos. “Tornando as leis mais flexíveis, evidentemente, não vai ser possível impor tantos privilégios”, explica. Por “privilégios”, entenda-se, os mais básicos direitos dos trabalhadores.

Para o empresário, o segundo mandato do governo Lula deve aplicar as reformas “tanto na previdência como no sistema tributário, como na reforma política, do Judiciário e trabalhista”. Com relação à reforma Tributária, Lawrense Pih, que é conhecido por implementar uma gestão empresarial de “consenso” com seus empregados, afirma que “tem que tributar o consumo, não a produção”. Ou seja, quem deve pagar imposto é você e não o empresário que utiliza a infra-estrutura e todo tipo de benefícios e vantagens do governo, além de explorar os trabalhadores. Ele cita a China, onde milhares de trabalhadores morrem por excesso de trabalho, como um exemplo de redução de custos.

  • Veja a entrevista no Blog do jornalista Josias de Souza