Em Minas Gerais, a saúde está doente

O governo Aécio Neves, em conjunto com a administração de Lula, gastou milhões de reais na construção da Linha Verde, um investimento que favorece muito à burguesia. O objetivo da obra é facilitar o acesso ao aeroporto de Confins. Além disso, também prevê a cobrança de pedágio administrado pela iniciativa privada. É dinheiro público nas mãos de quem só visa lucro.

Agora, outros gastos altíssimos estão sendo anunciados com a finalidade de adequar a cidade à Copa do Mundo de 2014. O objetivo é mascarar a pobreza, a violência e a falta de moradia no estado, mostrando uma capital reformada. Entretanto, a Saúde está cada vez mais caótica.

Nos últimos dez anos, cerca de 100 hospitais fecharam e outros vivem à beira da falência. Os salários estão atrasados, o que descumpre os direitos trabalhistas. Para a população, resta um precário atendimento.

A situação se agrava neste momento de crise mundial. As demissões ocorridas, principalmente, no setor metalúrgico se refletem nos planos de saúde: cada demissão representa menos três ou quatro atendimentos nos hospitais particulares. Por outro lado, há uma migração destes pacientes para o serviço público que já é insuficiente por conta dos baixos investimentos, fazendo com que as filas sejam cada vez mais quilométricas.

No dia 14 de maio, aconteceu uma manifestação na cidade de Sabará, região metropolitana de Belo Horizonte, contra a má administração do hospital Santa Casa e o descaso do prefeito local, que também está sucateando a saúde na região. Este hospital, que tem mais de 200 anos, já fechou a maternidade e não existe um pronto-atendimento decente.

O protesto, convocado pelo Sindicato dos Empregados da Saúde Privada (Sindeess), reuniu lideranças comunitárias, políticas e religiosas e foi marcado por um ato em frente ao hospital. Os manifestantes também fizeram um enterro simbólico da administração na porta da prefeitura.

*Roberto Verônica é presidente Sindeess