Em meio à pior crise política de seu governo

Aumentam os protestos pelo Fora Yeda. CPI pode ser usada para preservar o mandatoO assassinato do sem-terra é mais um escândalo que mostra a necessidade de derrubar o governo de Yeda Crusius (PSDB). As últimas semanas foram marcadas pelo agravamento da crise política no Rio Grande do Sul. O Ministério Público Federal indiciou a governadora e oito pessoas por formação de quadrilha. Nas ruas, os protestos aumentaram, animados pelo clima de que a governadora estava por um fio. Houve duas manifestações logo após o indiciamento e uma grande marcha no dia 14 de agosto.

As mais de 1.200 páginas do processo e as gravações revelam detalhes sobre os R$ 40 milhões desviados do Detran, e esquemas como a compra da mansão da governadora. Apesar das denúncias, Yeda e os envolvidos não foram sequer afastados. Os pedidos de impeachment seguem parados e tudo indica que serão deixados de lado até pelos deputados do PT.

Mas a crise é profunda. Até agora, a burguesia e seus partidos, apesar da dificuldade em defender o governo, insistem em manter o calendário, buscando recompor a governabilidade e uma candidatura em 2010.

Qual a saída?
A cassação em um dos estados mais importantes do país seria um abalo significativo no regime. Para derrubar Yeda e seu governo é preciso muita luta. E que, além das atividades desenvolvidas há oito meses por servidores e juventude, entre em cena o conjunto dos trabalhadores, em particular a classe operária.
Até o momento, os novos fatos não foram suficientes para um salto de qualidade nas manifestações. Isto ocorre em parte pela descrença das pessoas, que não acreditam que os políticos – ou a Justiça – façam qualquer punição. Há um sentimento de revolta, mas que não leva a uma ação correspondente. E a direção majoritária do movimento não impulsiona uma luta para isso.

Os trabalhadores e a juventude já chegaram a uma primeira conclusão: via parlamento e Justiça, nada vai acontecer. Isso é muito importante, mesmo que ainda não se tenha força suficiente para uma luta por cima das direções do PT e da CUT capaz de impor o “Fora Yeda já!”.

Na Assembleia Legislativa, o governo deixou de bloquear a CPI. Mas a proposta do PT agora favorece o governo. Todos os fatos já foram investigados pelo Ministério Público Federal. Uma CPI agora só serviria para fazer o jogo do governo e prolongar o mandato até o final.

Novas eleições
Os trabalhadores não podem suportar mais um ano deste governo. Nestes dias, foi amplo o debate sobre quem deveria ficar no lugar de Yeda. Nos jornais, nas ruas, escolas e locais de trabalho se discutiu o assunto. A ampla maioria das direções do movimento defende que o vice-governador Feijó assuma. Ignoram que é parte deste governo corrupto, ou que é um empresário do DEM, que defende medidas neoliberais como a privatização do banco estadual. Além de não aceitar que assuma o vice, também é importante lutar por novas eleições agora.

Independentemente do desfecho da crise, a mobilização já conseguiu duas importantes vitórias: ter feito a crise chegar ao patamar que chegou, e evitado os ataques ao plano de carreira dos professores, que representaria uma derrota histórica.
Mas, é possível ir adiante e exigir dos parlamentares petistas e seus aliados a votação do fim do governo e antecipação das eleições. E exigir da CUT e da Via Campesina que convoquem um dia de paralisação estadual pelo Fora Yeda.
Todos às ruas!

Fora o governo Yeda já!
Nenhuma confiança na Assembleia Legislativa. Não à CPI.
Novas eleições imediatas
Cadeia para Yeda e sua quadrilha
Confisco dos bens de todos os corruptos
Fim dos ataques aos trabalhadores e aos serviços públicos
Por um governo socialista dos trabalhadores

Post author Altemir Cozer, de Porto Alegre (RS)
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