Em meio à crise, o Partido Colorado vence as eleições

Crise do regime burguês não foi revertida com o processo eleitoral e seu resultado promete novos enfrentamentos na luta de classesNo dia 27 de abril se realizaram eleições gerais em todo o país. O Partido Colorado, que está no poder desde 1947, ganhou as eleições, mas isso não garante o fim da crise no país. As massas continuam questionando o regime e suas instituições, como o Congresso Nacional, que teve um parlamentar flagrado com 300 kg de maconha. O atual presidente é um bêbado, que anda com veículo de luxo roubado e que depositou 16 milhões de dólares na conta de sua esposa nos EUA.
Seu candidato a presidente, o jornalista Nicanor Duarte foi eleito com 37% dos votos (573.562 votos), que representam somente 25% dos eleitores inscritos (2.405.000 pessoas).
Foi a pior votação da sua história, ainda que tenha apresentado seu melhor candidato de todos os tempos. O Partido Colorado não é mais que uma sombra do que foi: um partido que tinha no seu interior todas as frações burguesas, um domínio completo do aparato do Estado e de seu Exército. Mantém hoje somente os símbolos deste passado “glorioso”. Prova disso é que nas primeiras eleições pós-queda da ditadura, em 1989, o candidato do coloradismo obteve 77% dos votos.
Em segundo lugar, com 23%, ficou o Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), tradicional opositor. Foi o grande perdedor, pois não conseguiu atrair o sentimento de oposição que prevaleceu no povo.
Uma fração burguesa (Movimento Pátria Querida), cujo candidato a presidente é dono de uma financeira, galvanizou uma parte desse voto oposicionista e “ético”. Ele tinha o apoio de setores burgueses importantes e da cúpula da Igreja católica, já que é um “empresário cristão”. Esse movimento, que é novo, alcançou 21% dos votos. Ganhou na capital Assunção e ficou em segundo lugar, quase empatado com Nicanor, no Departamento Central, estado que concentra o grosso da população urbana do Paraguai.
Outra fração burguesa -golpista e narcotraficante – ligada a Oviedo, general que tentou um golpe em 1999, teve 13% dos votos. Um resultado importante, já que Oviedo está exilado no Brasil e esses são os votos que ele pôde transferir a seu candidato. Não se pode subestimar essa fração burguesa, pois é uma alternativa de mudança golpista que o imperialismo guarda na manga.
Apesar da crise, as eleições não expressaram uma ruptura de massas com os partidos burgueses tradicionais em direção a uma saída classista e de esquerda. Isso determinou que os votos da Izquierda Unida (IU) e particularmente para Tomás Zayas fossem de vanguarda e programáticos, pela ruptura com o FMI, pela expropriação do latifúndio, pela nacionalização das grandes empresas estratégicas, um voto anti-imperialista, classista e socialista.
A abstenção teve um peso importante, principalmente na juventude urbana, expressando o desgaste do regime democrático-burguês colonial e das eleições como alternativa de mudança.
O novo governo sai desse processo eleitoral com problemas. Tem pela frente um país estagnado (e nos últimos anos, em recessão) e a obrigação de negociar com as frações burguesas opositoras. O FMI espera que seus planos sejam aplicados integralmente. Contra isso há oposição em toda a população, que já barrou a privatização da estatal telefônica com uma mobilização de massas. A temperatura das lutas vai aumentar, de acordo com o grau de ataque que o imperialismo ianque venha a desferir através do novo governo.

Post author Jonas Potyguar,
de Assunção (Paraguai)
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