Eleições na Europa mostram desgaste do neoliberalismo

Silvio Berlusconi

Derrotas governistas e abstenções deram o tom das eleiçõesO protesto marcou a eleição ao Parlamento Europeu. Seja pelos quase 50% de abstenção ou pela derrota dos governos dos principais países que impulsionam a política unificadora na Europa.

Contrariando a tradicional disputa entre a direita e os partidos sociais-democratas, a população expressou, nas urnas, o voto contrário aos seus governos. No último dia 13 de junho, os governos da Grã-Bretanha, Alemanha, Itália e França sofreram uma derrota, obtendo entre 15% e 23% dos votos de sua base.

Na Grã-Bretanha, não foi fácil para Tony Blair ocupar o terceiro lugar, amargando a maior derrota eleitoral de um partido governista desde 1918. Na Itália, a Força Itália, de Berlusconi, teve seu pior resultado desde sua criação, há dez anos. O Partido Social-Democrata Alemão, do atual chanceler Gerhard Schröder, não vê um resultado assim desde a Segunda Guerra.

O resultado das eleições européias demonstrou que a população está insatisfeita com seus próprios governos e não está preocupada com as discussões mais gerais em torno das questões européias.

Temas como moeda, regras para o mercado-comum e políticas de integração não superaram o impacto que vem causando a aplicação das políticas neoliberais. A atenção dos trabalhadores europeus está voltada para a onda de privatizações, aumento do desemprego e cortes dos benefícios sociais que está invadindo a Europa. Isso se combina com o repúdio à intervenção militar no Iraque, ao lado dos Estados Unidos. Na Polônia, por exemplo, a abstenção atingiu 80% e somente 26% da população do Leste Europeu participaram da votação.

Os trabalhadores já sentiram que o Parlamento Europeu não passa de coadjuvante em relação às principais políticas adotadas pelos governos. A defesa dos interesses das grandes multinacionais pelos governos nacionais é o que tem prevalecido de fato.

O resultado geral também demonstrou que a direita manteve a sua maioria na composição do parlamento. Isso significa que não houve uma alternativa apresentada para os trabalhadores que pudesse canalizar todo o descontentamento existente. Respingou nas candidaturas da chamada esquerda anti-capitalista o voto-protesto. A coligação entre Lutte Ouvrière e LCR, que vinha crescendo na disputa eleitoral francesa, obteve apenas 2,6% dos votos, porcentagem inferior ao resultado nas eleições de 1999. O mesmo se deu na Itália, onde a Refundação Comunista não alcançou os 6% e também na Gra-Bretanha, onde o Respect ficou nos 4,8% dos votos. Em muitos momentos a “viabilidade eleitoral” amenizou o discurso desses partidos que temiam ser identificados como os que estavam contra a integração européia.

A verdade é que essas candidaturas não apresentaram um programa que enfrentasse abertamente a retirada de direitos, que será legalizada pela Constituição Européia e seu parlamento.

Post author Yuri Fujita, de São Paulo (SP)
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