Eleições fortalecem ultradireita em Israel

As eleições israelenses definiram as 120 cadeiras no parlamento do país. Os resultados mostram claramente um fortalecimento da extrema direita no país.

Segundo os resultados, o Partido Kadima, do atual presidente Shimon Peres, obteve 28 cargos no parlamento. Apesar de conquistar sozinho o maior número de vagas no parlamento, o Kadima não conseguiu conquistar maioria para conformar um novo gabinete.

O Kadima foi fundado pelo carniceiro Ariel Sharon em 2005 e tem como uma de suas principais lideranças a ministra das Relações Exteriores do governo Olmert, Tzipi Livni. Foi este partido que ordenou o recente massacre de palestinos contra a Faixa da Gaza. A ação também tinha motivação eleitoral, pois o partido procurava mostrar ao seu eleitorado que era capaz de exterminar as “ameaças terroristas” do Hamas. O kadima perdeu, mas a ofensiva matou mais de 1.200 palestinos.

O Likud ficou em segundo lugar nas eleições do último dia 10 de fevereiro, conquistando 27 cadeiras no Parlamento. Considerado pela grande imprensa de direita, o partido é liderado pelo ex-primeiro-ministro e postulante ao cargo Binyamin Netanyahu. “Bibi”, como também é conhecido, tornou-se premiê nos anos 1990 e ministro das finanças do governo Sharon em 2001. Durante a campanha, Netanyahu disse que, uma vez no poder, não haverá qualquer política para ceder e território aos palestinos.

Netanyahu perfila-se como o próximo primeiro-ministro de Israel. No último dia 19, Avigdor Lieberman, líder do fascista partido Yisrael Beitenu e outros partidos de extrema direita declararam apoio à candidatura de “Bibi” para primeiro-ministro.

O Beitenu foi o partido com maior crescimento eleitoral, conquistando 15 cadeiras no parlamento e tornando-se o fiel da balança na formação do novo governo israelense. Sua plataforma política é abertamente racista. Lieberman defende o fechamento dos partidos árabes israelenses, além de que só seja concedida cidadania para quem demonstrar lealdade ao Estado, isto é, que se converta a religião judaica, algo que exclui todos os árabes de Israel.

Lieberman talvez seja o político que expressa com mais claresa o caráter racista do Estado de Israel. Ao contrário de seus colegas, não teme a opinião pública internacional e prega uma Israel etnicamente homogênea. Ou seja, não se envergonham de evocar a limpeza étnica como uma plataforma política.

Em 2006, Lieberman não hesitou em pedir a execução por traição dos parlamentares árabes israelenses que mantêm contatos com membros do Hamas palestino.

O fortalecimento da extrema direita nas eleições israelenses coloca um problema para a política do imperialismo. O governo de Barack Obama já reiterou seu compromisso com a defesa do Estado sionista, mas procura uma conciliação com o povo palestino. Para isso defende a retomadas das negociações de paz e a criação de dois Estados na região. Algo que o governo direitista de Israel não aceita.

Mas a invocação de uma solução de dois Estados comprovou ser uma farsa. Uma cortina de fumaça que serve na verdade para encobrir e legitimar a ocupação israelense, a expansão das colonizações israelenses sobre os territórios palestinos e o apartheid sionista.