Eleições em petroleiros questionam sindicalismo governista

Em sete eleições, trabalhadores fazem o balanço da política da FUP, de defesa do governo e acordos rebaixadosAs eleições em diferentes sindicatos petroleiros do país têm colocado em xeque a política traidora da FUP (Federação Única dos Petroleiros) e de várias direções sindicais ligadas à direção da CUT. Por interesses partidários e beneficiando-se de cargos na Petrobras ou no governo, dirigentes da FUP têm levado a categoria a acordos rebaixados e à perda de direitos.

Para este tipo de sindicalista, os interesses da categoria e os da classe trabalhadora vêm em segundo plano. Eles sempre são deixados de lado, diante da defesa dos planos neoliberais do governo Lula, que tentam retirar direitos e rebaixar salários e benefícios.
Estes sindicalistas romperam totalmente com o princípio de independência dos governos e com o sindicalismo classista.

Como alternativa de direção à FUP, foi formada a Frente Nacional dos Petroleiros, a FNP, que já conta com cinco sindicatos, sendo dois da Conlutas, e diversos grupos de oposição em todo o país. A frente também está abrindo na categoria o debate sobre a central ou entidade nacional que deve representar os petroleiros.

Neste momento, os dois projetos para a categoria estão em disputa em diversas eleições, quase simultâneas, em vários locais do país. Os primeiros resultados, como a importante vitória no Rio de Janeiro, mostram o fortalecimento da Frente Nacional dos Petroleiros.

Rio de Janeiro (RJ)
A vitória nestas eleições, encerradas no dia 16 de abril, pode ser considerada uma das mais importantes do período. A atual direção do Sindipetro-RJ já havia conduzido o plebiscito de desfiliação da FUP e foi parte da construção da FNP. Os petroleiros da Conlutas defenderam a formação de uma chapa unitária da FNP, reunindo os que estiveram à frente de todas as lutas no último período. Um setor minoritário da diretoria resolveu montar a chapa da FUP. A campanha refletiu a polarização principal que atravessa a categoria e, no final, a Chapa FNP – Unidade, Independência e Luta, recebeu 1351 votos, 57% do total. A posse está prevista para o início de junho.

Norte Fluminense (RJ)
Agora, os olhos da categoria voltam-se para a Bacia de Campos, o sindicato em cuja base está a maior parte da produção de petróleo do Brasil. Para que todos os petroleiros que trabalham “embarcados” nas plataformas possam votar, a eleição irá durar todo o mês de maio. Ao todo, as urnas estarão abertas por 22 dias, em 30 pontos nas cidades de Macaé, Campos, Rio de Janeiro e Angra dos Reis.

Na eleição passada, houve duas chapas da oposição que, juntas, somaram a maioria dos votos, mas a chapa da FUP acabou sendo eleita. Agora, a história é diferente. A chapa FNP – Oposição Unificada já está com uma forte campanha para libertar este importante sindicato da mão dos sindicalistas pelegos.

Sergipe/Alagoas
A eleição ocorrerá no final de maio e promete ser bastante disputada. Filiado à Conlutas e à FNP, o Sindipetro de Sergipe e Alagoas vem sendo alvo dos ataques da FUP e dos governos locais. A chapa Resistência e Luta terá a responsabilidade de enfrentar todo o aparato governista, que deve jogar muito peso para tentar ganhar o sindicato que há anos é uma referência nacional, com a oposição à direção da FUP e polarizando nacionalmente as campanhas reivindicatórias na categoria.

Bahia
A chapa da oposição à atual direção do sindicato, capitaneada pela CTB, central dirigida pelo PCdoB, obteve 25% dos votos. A maioria dos companheiros da FNP apoiou ou chamou a votar na chapa de oposição. Mas seria importante formar uma chapa que reunisse toda a oposição baiana e que rompesse frontalmente com a FUP, apostando na construção da FNP. É possível construir um movimento que una todos os que estão a favor de um sindicato independente do governo, que não tenha compromisso nem com Lula nem com Haroldo Lima, militante do PCdoB e diretor da ANP, agência reguladora responsável pelos leilões do petróleo e gás. Estas são questões que não ficaram claras durante o processo eleitoral e caberá aos aguerridos petroleiros da Bahia fazer este debate.

Minas Gerais
Em Minas, uma chapa formada basicamente por companheiros novos alcançou um bom resultado, recebendo 34% dos votos. Dadas as características e expectativas da eleição, o resultado deixou a rapaziada animada, inclusive porque a chapa da oposição venceu em setores importantes. Os companheiros agora irão manter a atuação da Frente Nacional dos Petroleiros, reforçando e expandindo o trabalho para os locais onde não foi possível alcançar, ocupando o espaço que existe para revelar a verdadeira política da FUP.

Rio Grande do Sul
Os gaúchos promoveram a baixa mais sentida na pelegada, no dia 24 de abril. Ao contrário do Rio de Janeiro, cujo sindicato já fazia parte da FNP, o sindicato do Rio Grande do Sul ainda era controlado pela turma da FUP. A eleição foi disputada voto a voto. A chapa Independência e Luta recebeu 493 votos, contra os 462 da chapa governista. O sindicato agora vai levar para a categoria a decisão de se desfiliar da FUP e da CUT.

São Paulo
A eleição do Unificado, sindicato que reúne os trabalhadores dos prédios da capital e da refinaria de Paulínia, na região de Campinas, será em agosto. Desde já, estamos em campanha para formar uma chapa unitária da Frente Nacional dos Petroleiros, com um programa classista e independente.

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