Eleições americanas: Kerry não é alternativa à ruína de Bush

A idéia de “imperialismo light”, associada aos democratas, é pura ilusãoA cada soldado norte-americano morto pela guerrilha iraquiana, Bush estremece com a possibilidade de derrota nas eleições americanas, devido aos reflexos do atoleiro no qual se meteu no país árabe.

As recentes pesquisas de opinião sobre os candidatos à presidência dos EUA revelaram que cerca de 60% dos entrevistados afirmam que a guerra não valeu seu preço.

Por isso, Bush tentou mascarar a ocupação no Iraque, antecipando a transferência de poderes para as mãos de seus agentes diretos e entregou Saddam Hussein para o “novo” governo iraquiano.

O feitiço contra o feiticeiro

Para garantir sua reeleição, Bush seguiu duas vertentes. Por um lado, buscou garantir de alguma forma o crescimento econômico interno, diminuindo a inflação e contendo o desemprego. Por outro, prometeu uma guerra rápida e uma ocupação segura que pudesse garantir a pilhagem do petróleo iraquiano pelas empresas norte-americanas. Falhou nas duas.

Na mesma pesquisa divulgada pelo Washington Post, 45% dos americanos identificaram Bush com o aumento do desemprego. Da mesma forma, as ações da guerrilha iraquiana, como sabotagens e seqüestros, atrapalham cada vez mais o saque promovido pelas empresas yankees.

A esperança de capitalizar a vitória na guerra do Iraque, como fez Bush pai na guerra do Golfo, não aconteceu. Pior que isso, a popularidade de Bush Jr. está em queda exatamente por esse motivo. A aprovação em relação à guerra caiu de 90% para 54%.

Democratas não são alternativa

Ao mesmo tempo em que Bush se esforça para amenizar sua imagem de interventor militar e usurpador da soberania de outros povos, John Kerry – candidato do Partido Democrata – tenta capitalizar o sentimento de oposição existente.

Kerry, na verdade, quer passar uma imagem de um “Bush mais light”, preocupado com as questões internas, com a reativação da economia. No entanto, Kerry sabe que a população americana exige respostas para o atoleiro em que Bush meteu os EUA. Por isso, passou a criticar a forma como Bush lidou com o conflito, mas o democrata não condena a atual ocupação, pelo contrário, afirma que se for eleito terá mais facilidade para atrair novos aliados para mantê-la. O grande trunfo de Kerry é o cansaço da população norte-americana com os mandos e desmandos de Bush. Além disso, Kerry se esforça para ser identificado com o ex-presidente democrata Bill Clinton. Vale lembrar que em termos de política militar intervencionista Clinton nada deixou a desejar a Bush. No início dos anos 90, promoveu uma intervenção militar na Somália, sob os aplausos da ONU. Em 1999, Clinton, ameaçado de sofrer impeachment por conta do escândalo Mônica Lewinsky, chefiou a intervenção militar na Iugoslávia através da Organização do Tratado do Atlântico Norte, patrocinando bombardeios que mataram milhares de pessoas. Como se pode ver, a idéia de “imperialismo light”, freqüentemente associada aos governos democratas, é pura ilusão. Porém, é cada vez mais freqüente ver que parte da esquerda norte-americana, e também setores da esquerda mundial, promovem campanhas anti-Bush, sem denunciar os crimes cometidos pelos democratas quando estavam no poder. Na prática, essa posição representa uma capitulação ao candidato democrata.

John Kerry não apresenta nenhuma ameaça aos interesses econômicos do imperialismo no Oriente Médio. Se for eleito, o candidato democrata seguirá os mesmos passos de Clinton e Bush e não medirá esforços para recuperar a economia norte-americana, mesmo que tenha que promover sujas guerras contra os povos de todo o mundo.

Post author Yuri Fujita, da redação
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