Educadores gaúchos realizam greve de fome e fazem governo recuar

Trabalhadores em greve de fome, cercados pela Brigada Militar
Filipe Caldeira

Vinte trabalhadores param de se alimentar para protestar contra o governo de Germano Rigotto (PMDB)A greve dos trabalhadores em Educação do Rio Grande do Sul já dura mais de 30 dias. No dia 3 de abril, cerca de 6 mil trabalhadores rejeitaram a proposta do governo (8,57% em cinco parcelas) e decidiram pela continuidade da greve. A maioria da direção central do CPERS-Sindicato (Articulação/PT) estava contra essa posição.

Nesse mesmo dia, o governador Germano Rigotto (PMDB) encaminhou à votação, na Assembléia Legislativa, o seu projeto de reajuste, que foi aprovado. A medida desencadeou uma greve de fome da qual participaram 20 trabalhadores. Dentre eles, havia três representantes da Democracia e Luta – Oposição ao CPERS, ligada à Conlutas. Os manifestantes se colocaram às portas do Palácio Piratini, sede do governo estadual. Houve repressão e violência por parte da polícia.

A greve de fome durou 36 horas e arrancou uma audiência com o governador, que foi obrigado a abrir mão de vários ataques. A principal conquista – e que determinou o fim do jejum – foi a reintegração de quatro trabalhadores demitidos durante a greve. O governo também aceitou atender cerca de 11 mil promoções atrasadas, incluir funcionários de escola no plano de carreira e deixar a recuperação das aulas a cargo de cada escola, abonando os dias parados para a recuperação até o final do ano letivo, entre outras “concessões”. Os grevistas ainda aguardam documento por escrito.

A participação da Democracia e Luta foi determinante para os resultados positivos da mobilização. Se dependesse da direção central do sindicato, a greve já teria acabado sem as conquistas obtidas. “Não podemos nos iludir com avanço salarial, mas houve vitória”, disse Andréia Ortiz, da Democracia e Luta. Para ela, a luta avançou, apesar de ainda faltar muita coisa. “A categoria, se mobilizou, veio para a greve, foi às ruas, realizou atos grandiosos. Temos que ficar em estado permanente de mobilização, sempre discutindo, procurando mais politização da categoria e crescimento da mobilização”, declarou Andréia.

A próxima assembléia geral acontece nesta sexta-feira, dia 7 de abril.