Editorial: Podemos enfrentar e derrotar a guerra social contra os trabalhadores

Leia o editorial do Opinião Socialista nº539

A puxada de tapete da Greve Geral por parte das cúpulas da Força Sindical, da CUT e da UGT teve, por trás, a negociação da reforma trabalhista e da operação “salva-corrupto”. O Solidariedade, do deputado Paulinho da Força, faz parte do governo Temer no Congresso.

O PT está na oposição parlamentar, mas não tem um projeto realmente contrário às reformas dos patrões, porque se propõe a governar com banqueiros e empresários. Tanto que Lula já disse: “seria falso dizer que eu vou anular tudo”, referindo-se às reformas de Temer e à possibilidade de se eleger em 2018. Basta dizer que Meirelles, atual ministro da Fazenda, foi ministro de Lula. O PT prefere que Temer faça o trabalho sujo, aprove as reformas para tentar voltar a governar em 2018 com elas já feitas.

Perante a crise, a receita da burguesia é desatar uma guerra social contra os trabalhadores. Dilma começou a aplicar a reforma cortando o PIS e o seguro-desemprego. Temer continua com as reformas que os banqueiros e empresários querem: cortam nossos direitos e aposentadorias e pagam bilhões da dívida pública a banqueiros e empresários.

O pagamento dos juros mais altos do mundo aumenta a dívida pública. A necessidade de pagar esses juros serve de justificativa para o ajuste fiscal: corte nos gastos sociais, desvio de verbas da saúde educação e reforma da Previdência. O pagamento da dívida é um roubo ainda maior do que a corrupção.

O governo ainda beneficia os bancos com operações feitas pelo Banco Central que, com a desculpa de segurar a inflação, enxugam R$ 1 trilhão que sobram no caixa dos bancos, trocando essa sobra por títulos da dívida pública. Com isso, os bancos vão aumentar seus lucros, pois são pagos os juros mais elevados do mundo aos títulos.

Esse troca-troca aumenta ainda mais a dívida pública, que gera, por sua vez, novo aumento da despesa pública com o pagamento dos juros aos bancos. Pura agiotagem. É assim que os banqueiros levam metade do orçamento do país.

Esse dinheiro, segundo números da Auditoria Cidadã da Dívida, correspondente a 17,5% do valor do PIB (tudo que é produzido no Brasil). Mas ninguém vê o governo, a televisão, nem mesmo o PT denunciando que a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que manda economizar dinheiro da saúde, da educação e da aposentadoria, é para pagar essa dívida. Tampouco se vê o PT propondo parar de pagá-la.

Guerra contra os de cima
Ao puxarem o tapete da Greve Geral, as cúpulas das centrais ajudaram a dar sobrevida a Temer e à provação da reforma trabalhista. Mas nós podemos derrotar os de cima organizando os debaixo. Precisamos tirar lições dessa traição e organizar, pela base das categorias, uma alternativa às cúpulas dessas centrais. Devemos exigir que os sindicatos enfrentem as direções das centrais e organizem a luta unificada para impedir a aplicação da reforma trabalhista.

Podemos unificar setores importantes da classe trabalhadora e não permitir a retirada de nenhum direito dos contratos coletivos. É necessário e possível, também, uma Greve Geral de 48 horas para derrotar também a reforma da Previdência e botar abaixo Temer e todos eles!

Precisamos debater um projeto dos trabalhadores, independente dos patrões e dos banqueiros. Um projeto que garanta os direitos e uma vida digna para a classe trabalhadora e o povo pobre. Que enfrente banqueiros, empresários e latifundiários.

Precisamos construir na luta um governo socialista dos trabalhadores, que governe em Conselhos Populares. Um governo que suspenda o pagamento da dívida aos banqueiros; exproprie e estatize as empresas corruptas e as coloque sob controle dos trabalhadores; estatize e coloque sob controle dos trabalhadores o sistema financeiro; entre outras medidas.