Editorial: A classe trabalhadora precisa continuar em campo

Zé Maria fala durante o ato do dia 15 para os trabalhadores da Volks no ABC Paulista

No dia 15 de abril, dia de paralisações e manifestações nacionais, a classe trabalhadora começou a entrar em campo. Foi um forte dia de luta, com paralisações expressivas em várias categorias em todo o país, com destaque para os setores operários e de transportes.  Somaram-se também a inúmeras greves de professores pelo país e trancaços de estrada pelo movimento popular.

A demonstração de força da classe trabalhadora ampliou a divisão entre os de cima e forçou o presidente da Câmara, o patronal, conservador de direita, corrupto e homofóbico Eduardo Cunha a adiar a votação do projeto. O texto base do Projeto de Lei 4330 foi aprovado dia 8 de abril, mas passa pela fase de votação de emendas e regulamentação para que possa ir a voto no Senado.

A classe trabalhadora tem força para derrotar este PL e também as MPs 664 e 665 e o ajuste fiscal de Dilma que retiram direitos e verbas sociais dos trabalhadores para dar aos banqueiros e grandes empresários.

É necessária e possível a construção da Greve Geral, como ficou demonstrado na disposição de luta neste dia 15 e nas centenas de greves que ocorrem Brasil afora.

Por isso, é preciso exigir das centrais sindicais, especialmente da CUT, que junto com a CSP-Conlutas possamos seguir com a luta unificada e construir a Greve Geral para derrubar esse PL e as MPs do governo. Não é hora de negociar retirada de direitos. Aceitar precarização no atacado é fazer destaques e emendas no varejo.

Nesse sentido, inclusive o PSOL comete o equívoco de apresentar destaques e emendas a esse projeto neste momento, conforme informam os companheiros em seu site: “A bancada do PSOL na Câmara apresentou um destaque ao Projeto de Lei 4330/2004, o ‘PL da Terceirização’, com o objetivo de amenizar os danos provocados pela sua aprovação”.

A luta contra o PL deve ser travada essencialmente nas ruas, nas greves. Não será em discussões no Congresso, emendando esse projeto, que vamos derrotá-lo.  Queremos nada menos do que seu arquivamento. Seguir a estratégia de destaques, emendas e pela prioridade na luta parlamentar é caminho para a derrota.

O caminho da vitória é o da construção da Greve Geral que deve enfrentar, além do Congresso, a patronal e o governo Dilma (PT).

Chega de Dilma, PT, PMDB e PSDB!
As manifestações do dia 12 de abril foram de novo majoritariamente de classe média. Tiveram como motivação principal o protesto contra a corrupção e o governo. Foram também muito menores do que as de 15 de março. O PSDB, DEM, PPS, entre outros partidos de direita, buscam capitalizar e representar a indignação que esses setores médios estão expressando nas ruas.

Como no 15 de março, uma parte dessa classe média é bastante conservadora, outra parte é simplesmente classe média indignada. A adesão explícita do PSDB à convocação da última manifestação talvez tenha sido uma das raízes de sua expressiva diminuição. Ela diminuiu tanto que os grupos liberais de direita que as convocam saíram decepcionados e desistiram de realizar novas manifestações massivas nas capitais. Vão tentar fazer lobby em Brasília. De qualquer modo, tais manifestações da classe média ainda não têm uma direção definida. Nem tais grupos e nem o PSDB podem ser considerados uma direção definitiva dos mesmos.

A classe trabalhadora em ação, unificada e em oposição ao governo Dilma pode disputar uma ampla fatia da classe média descontente.

A classe trabalhadora, incluindo a classe operária, está em sua enorme maioria na oposição ao governo. Basta constatar que 63% defendem impeachment mesmo sem saber que o vice, Michel Temer, assumiria em seu lugar. Ou seja, querem que esse governo saia. Uma alternativa de classe a esse governo só pode ser construída na mobilização dos trabalhadores, negando o desastre deste governo pró-patronal, de coligação com a burguesia e corrupto.

No dia 15 de abril, os trabalhadores começaram a entrar em campo contra os ataques que sofrem do governo Dilma, do Congresso, do PMDB e também da oposição burguesa, do PSDB e cia. Na hora de fazer os trabalhadores pagarem o preço da crise, de fazer o ajuste fiscal, eles jogam juntos.

É necessário unir as centrais sindicais e os movimentos na construção de uma Greve Geral contra o PL e as MPs do governo. Para lutar de maneira coerente contra o ajuste, no entanto, é necessário enfrentar também o governo Dilma. E para construir uma alternativa de classe à esquerda é necessário ser oposição categórica a esse governo.

Nesse sentido, continuamos fazendo um chamado à CUT e ao MST para que rompam com o governo. Também o MTST, que se equivoca ao se limitar a fazer um chamado de luta “por direitos contra a direita”, como se o governo Dilma não fosse responsável pela política de ajuste fiscal.

Para derrotar a “direita” é preciso derrotar o governo do PT, o PMDB e o PSDB. E apontar uma alternativa de independência de classe, de luta e de democracia operária.

Queremos lutar todos juntos contra as MPs e o PL 4330. Essa é a tarefa imediata que temos todos. Por isso dizemos: vamos juntos construir a Greve Geral.