Editora Sundermann: mais um ano em defesa do marxismo

Os anos noventa foram anos muito duros para o marxismo. Diversos escritores pagos pelo capital decretaram que o que tinha acabado na URSS e no Leste Europeu não eram os regimes stalinistas contra-revolucionários, mas o próprio marxismo. Partidos revolucionários, movimentos sociais de combate e lutadores em todo o mundo viram seus referenciais teóricos desmoronarem da noite para o dia. Em pouquíssimo tempo, a literatura marxista desapareceu das prateleiras das livrarias e as novas gerações que desejassem partilhar dessa visão científica da realidade tiveram que garimpar nas prateleiras dos sebos os últimos exemplares das obras de Marx, Engels, Lênin, Trotsky etc.

O ressurgimento das lutas das massas mudou essa situação. Um setor cada vez maior das novas gerações começa a sentir que não se pode esperar sentado a “outra vida”, que é capaz de mudar as condições de sua existência e, por outro lado, também, que o individualismo liberal não oferece um lugar ao sol para todos. A idéia de futuro construído de forma coletiva pela ação humana ganha um outro lugar, e as novas gerações começam a se perguntar: mas que futuro? Qual socialismo?
Na esteira desse fenômeno, o marxismo volta a ser publicado. Surgem novas editoras voltadas a estimular o debate, com um profundo diferencial das editoras dependentes do capital. Foi nesse novo contexto da luta de classes que surgiu a Editora José Luis e Rosa Sundermann.

Nossa primeira edição em 2003, diga-se de passagem, já esgotada, foi o “Manifesto Comunista”. Nos três anos que se seguiram, foram 15 títulos todos voltados a um objetivo: impulsionar o debate e a luta teórica, avançar na compreensão do mundo que nos cerca para transformá-lo.

O ano de 2007 foi de desafios. Lançamos a Coleção 10, de livros em formato de bolso, com temas diversos e baixos preços. Seu grande sucesso foi “Os sindicatos e a luta contra a burocratização” de Zé Maria, que já foi reimpresso uma vez.
Para fortalecer o plebiscito sobre a privatização da Vale do Rio Doce, a obra organizada por Nazareno Godeiro, “Vale do Rio Doce: Nem tudo que Reluz é ouro”, ajudou inúmeros ativistas a entender como o patrimônio público e nossas reservas minerais foram parar nas mãos do capital financeiro.

Moreno presente
Em homenagem a Nahuel Moreno, dirigente e fundador da Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT), lembrando os vinte anos de sua morte, foram publicados dois trabalhos inéditos: “Lógica Marxista e Ciências Modernas” e “A Ditadura Revolucionária do Proletariado”. Ficamos devendo aos nossos leitores um de seus trabalhos mais importantes, “O Partido e a Revolução”, que sairá no primeiro semestre de 2008.

Revolução Russa
Porém, nosso maior desafio foi incorporar a Editora nas atividades dos “Noventa anos da Revolução Russa”. O esforço para reeditar em português a obra de Trotsky, “História da Revolução Russa”, somou-se às centenas de atividades e debates que foram realizados no país sobre o significado da Revolução de Outubro. Depois de esgotada por vários anos em português, as novas gerações de lutadores podem enfim ter acesso a essa monumental obra de Trotsky. Diferentemente da edição anterior, esta não somente circulou nas livrarias, como também esteve presente na maioria dos debates, palestras, seminários etc. E essa nova edição tem uma marca distintiva: foi produzida com o esforço militante.

Para encerrar o ano, não houve descanso: a “História da Internacional Comunista” de Pierre Broué conclui nosso trabalho editorial em 2007, e não poderíamos ter uma escolha melhor. Trata-se de uma obra fundamental e de referência. Em suas páginas podemos ver o esforço de Lênin, desde 1914, para construir uma nova Internacional após a falência dos partidos da II Internacional, quando estes apoiaram suas burguesias durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Constatamos, pelo minucioso trabalho de Broué, como a onda revolucionária que se segue à tomada do poder na Rússia contagia todo o movimento operário mundial: desde o aprofundamento da revolução na Alemanha e a oportunidade desperdiçada, desde as revoluções na Hungria, Bulgária, Áustria, até os processos revolucionários na Ásia, África e América Latina e a construção dos partidos comunistas em todo o mundo. Mas, de poderoso instrumento da revolução, a Internacional Comunista é vítima da contra-revolução stalinista e se converte num aparato a serviço da diplomacia soviética stalinista. Essa virada histórica é tratada por Broué com uma riqueza de detalhes apaixonante. Como historiador marxista, Broué demonstra que sempre a última palavra dos desenlaces esteve com as massas. No entanto, demonstra que, nas situações decisivas, o estado-maior da revolução e da contra-revolução decidem as grandes lutas, pois deles dependem a estratégia da luta.

Ao iniciarmos o ano homenageando Moreno, cuja vida foi dedicada à construção do partido mundial da revolução, ao nos somarmos às atividades sobre a Revolução de Outubro, e com o lançamento da obra de Broué, tentamos resgatar a principal lição do esforço titânico da classe operária russa: que a teoria e a prática do socialismo em um só país foi o resultado da contra-revolução burocrática stalinista. Como afirmou Moreno, a obra fundamental dos bolcheviques foi a construção do instrumento de luta pela revolução mundial e destruição do imperialismo. É nesse esforço coletivo que a Sundermann se engaja.

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  • Treze anos do assassinato de José Luís e Rosa Sundermann, dirigentes do PSTU

    Post author Francisco de Andrade, de São Paulo (SP) e João Ricardo Soares, da Secretaria Nacional de Formação
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