Editora Sundermann lança coletânea de Trotsky sobre crise de 1929

Capa do livro
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Textos ajudam a entender a crise atual da economia capitalista. Leia abaixo a apresentação do livro
O imperialismo e a crise da economia mundial – Textos sobre a crise de 1929
Leon Trotsky
160 págs
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Os trabalhos de Leon Trotsky desta coletânea, muitos inéditos em nosso idioma, dão continuidade à série de obras deste autor que a Editora José Luís e Rosa Sundermann vem lançando, como um de seus principais esforços.

A seleção ora apresentada têm como pano de fundo a análise da situação da economia mundial e sua relação com a luta de classes e o sistema de Estados que surge como resultado da Primeira Guerra Mundial. A contradição fundamental desta nova realidade, diz Trotsky, é a manutenção da hegemonia imperialista da Inglaterra sobre o planeta e sua decadência econômica.

O período de tempo destes textos abrange dois momentos completamente distintos da economia mundial. A seqüência inicial de textos até 1926 discute a relativa estabilização da economia mundial depois da grande destruição causada pela Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Nestes textos vale ressaltar o método com o qual Trotsky estabeleceu sua análise sobre este período e seus prognósticos:

(…) A questão básica não se resolve calculando a produção, mas por meio de uma análise dos antagonismos econômicos. O nó da questão é este: Os Estados Unidos e, em parte o Japão, estão empurrando a Europa a um beco sem saída, não estão deixando nenhum mercado para suas forças produtivas(…) ao empurrar os europeus mais e mais para uma franja estreita do mercado, os Estados Unidos estão preparando atualmente um nova deterioração sem precedentes das relações internacionais, tanto entre os Estados Unidos e Europa como dentro da mesma Europa.
(“Sobre a questão da ‘estabilização´ da economia mundial”)

Desta forma, a análise dos ciclos econômicos, tanto sobre os períodos de estabilidade como sobre os de crise, deve estar dentro de um marco mundial determinado. Assim, ao tomar como critério os antagonismos econômicos entre os Estados imperialistas, que não tinham sido completamente resolvidos com a carnificina da Primeira Guerra Mundial, Trotsky foi capaz de estabelecer quais as contradições fundamentais que se acumulavam para o desenlace da próxima crise.
E este processo estava determinado pelo fato de que os imperialismos europeus seguiam sendo empurrados para um beco sem saída. Um processo cada vez mais grave por causa da longa agonia do imperialismo inglês, que perdia cada vez mais o controle do mercado mundial para um novo e pujante concorrente, os Estados Unidos.

Portanto, a relativa estabilidade da economia mundial não tinha correspondência com o sistema de Estados sob a hegemonia do imperialismo inglês. A nova realidade econômica sob o qual se desenvolvia a luta de classes nacional e mundial expressava então uma profunda contradição entre o poderio econômico dos Estados Unidos e o seu peso político.

Por isso quando explode a crise econômica de 1929, Trotsky segue utilizando a mesma ferramenta teórica que lhe permitiu, vários anos antes, antecipar a dinâmica da revolução russa e depois da revolução mundial: a contradição entre o desenvolvimento das forças produtivas e os Estados nacionais. Observando o desatar da mais profunda crise econômica do capitalismo no século XX, Trotsky conclui, em 1931:

“As bases materiais dos EUA não têm precedentes. Sua preponderância potencial no mercado mundial é superior à preponderância real da Inglaterra no período de apogeu de sua hegemonia mundial… Esta energia potencial se transformará inevitavelmente em energia cinética, e algum dia o mundo será testemunha de uma grande explosão da agressividade ianque em todos os cantos do planeta.”
(“Entrevista concedida ao Manchester Guardian”)

A profundidade da crise de 1929, que oficialmente duraria até 1941, somente encontrará uma saída quando a produção industrial dos Estados Unidos vira uma máquina de guerra. As forças produtivas se convertem em seu oposto, em forças destrutivas. As novas mercadorias produzidas, bombas e armas, encontram o novo mercado aberto pelo imperialismo alemão, que também buscou sair do beco sem sáida convertendo sua indústria em uma máquina de guerra.

A análise de Trotsky abrangeu esses desdobramentos políticos e militares da crise até a sua morte, em 1940.

O ambiente econômico e político da crise que se inicia em 2008 guarda profundas diferenças com a da década de 1920. Mas acreditamos que esta seleção dos trabalhos de Trotsky oferece um marco teórico e metodológico fundamental para buscar as perguntas corretas para compreender a dinâmica da crise que se inicia.

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