…e quem perdeu

Entre 1990 e 99, as privatizações tiraram o emprego de quase 546 mil trabalhadores. Isso significou, segundo o economista Márcio Pochmann, 17,1% do total de 3,2 milhões de empregos formais destruídos na década de 90. O objetivo de gerar lucros a qualquer custo, que é a lógica de uma empresa privada, significou ainda a precarização do trabalho para quem ficou nas ex-estatais, com aumento na terceirização e na subcontratação de mão-de-obra. A rotatividade passou de 7,3% em 89 para 24,8% em 99.
A “modernização” dos serviços prestados também seguiu a lógica do lucro, e não da qualidade. Os exemplos mais evidentes são os da energia elétrica e da telefonia. No primeiro caso, os aumentos de tarifas muito superiores à inflação não foram suficientes para que as compradoras investissem em manutenção. A população sofreu com o apagão, com a economia forçada de energia e ainda tem que pagar uma taxa pelo prejuízo que tiveram as companhias energéticas com a luz que deixaram de fornecer durante o racionamento. No caso da telefonia, houve de fato aumento estrondoso na quantidade de linhas oferecidas. Mas esse serviço é só para quem pode arcar com o também estrondoso aumento nas tarifas: milhares de pessoas simplesmente não têm como pagar as contas e as empresas de telecomunicação agora propagandeiam nos jornais que estão em crise financeira e precisam de auxílio do governo.
A venda das estatais não significou aumento da arrecadação com impostos, já que a diferença entre o preço pedido pelo governo e o oferecido pelo “comprador” é devolvida sob a forma de abatimento no Imposto de Renda, sem falar em outras brechas na legislação que possibilitam às grandes empresas em geral, e às privatizadas em particular, pagar poucos impostos, quando pagam.
Também não houve aumento nos investimentos sociais ou redução do rombo financeiro do país. Ao contrário, as privatizações contribuíram para aumentar o problema, já que o governo continua pagando a rolagem e os juros das dívidas externa e interna, mas não tem mais as estatais lucrativas, como a Vale, ou potencialmente lucrativas, como a CSN, como fontes de recursos. O dinheiro para pagar as dívidas sai da saúde, da educação e das demais áreas sociais.
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