É preciso dar um passo adiante

    Muitos trabalhadores e estudantes que apoiavam o PT vivem, hoje, uma crise: sabem que Dilma está fazendo um desastre no governo, mas têm medo da “volta da direita”. 
    Em geral, esses ativistas participam ou apoiam as mobilizações que estão sacudindo o país. Ficam indignados com a situação e sabem da responsabilidade do governo petista. Chegam à beira da ruptura completa com o PT, mas recuam, pois “a direita pode se aproveitar”. 
    É muito importante que esse trabalhador ou estudante observe que o desgaste causado pelas grandes mobilizações atinge tanto o PT como o PSDB. O repúdio das ruas se choca raivosamente contra os dois maiores pólos partidários. Os partidos de direita, hoje, estão tão ou ainda mais acuados do que o PT. 
    As mobilizações de junho colocaram o país em destaque no cenário internacional por terem um caráter histórico. As passeatas foram superiores ao movimento do “Fora Collor”. A greve de 11 de julho foi um ensaio de greve geral, superior a chamada greve geral de 1983. 
    Essa sacudida histórica está colocando a necessidade de uma nova direção para o movimento. Quem permanecer colado ao PT vai acabar se chocando com o que há de melhor existente nas lutas. Nesse país, nada será o mesmo depois de junho. Nem o PT. 
    Já estão gravadas na memória da população as imagens das passeatas gigantescas que se deram contra o governo Dilma. Na consciência de milhões e milhões de brasileiros, a referência das greves do ABC, que deram origem ao PT, vai ser substituída pela das passeatas contra o governo petista. 
    O PT e o PSDB se desgastaram muito por serem expressões da democracia dos ricos. Esses partidos implementaram planos de governo a serviço das grandes empresas. A corrupção é parte integrante da prática petista, assim como da oposição burguesa. Na verdade, o PT foi (e está sendo) parte fundamental das posições da “direita”.
    É preciso pensar com a ousadia necessária. É hora de romper com o PT para ajudar na formação de outra referência de esquerda. A dimensão das mobilizações permite pensar na construção de uma nova alternativa que se contraponha tanto à direita como ao PT. 
    Caso exista uma ruptura com o PT de todo um setor, de muito dos ativistas que lutam, será possível construir uma alternativa de esquerda com maior rapidez. Caso não exista essa possibilidade, a direita pode ocupar espaços de oposição. 
    É hora de dar um passo adiante, de ruptura com o PT. O PSTU é um partido revolucionário socialista. Continuemos a lutar juntos, como na preparação do dia 30 de agosto, Dia Nacional de Paralisações. E vamos construir, juntos, uma nova alternativa de esquerda revolucionária. 
     
     

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