É hora de lutar

É comum dizer que o ano só começa no Brasil depois do Carnaval. Em 2006, tivemos dois carnavais. A Copa mobilizou o país pela paixão do povo pelo futebol, e terminou melancolicamente por obra e graça de Carlos Alberto Parreira e companhia. Carregaremos a frustração de ver a seleção perder sem lutar, a pior das derrotas. O país deixa o sonho do hexa e volta ao duro cotidiano da exploração e da corrupção.

Os mesmos de sempre vão querer nos vender ilusões e provocar decepções maiores que as da Copa. O governo Lula passa a idéia de ser o “pai dos pobres”, que fez o que pôde pelos trabalhadores e que, se reeleito, vai fazer muito mais. A maioria, infelizmente, ainda se ilude. Por pior que tenha sido a decepção com a copa, terá doído pouco perto do que será um futuro governo Lula.

Ele já se comprometeu a seguir pagando as dívidas externa e interna, que impede qualquer melhoria real para os trabalhadores. Pior ainda, prometeu aos grandes empresários do país que vai impor uma reforma trabalhista para cortar as férias e o décimo-terceiro salário dos trabalhadores. Vai ser a reedição piorada da euforia de antes da Copa e da raiva depois da derrota.

Geraldo Alckmin, candidato de PSDB/PFL, quer fazer o povo acreditar que se propõe a mudar alguma coisa. Mas Lula é a continuidade do plano econômico e da corrupção de FHC. Por isso, até agora a candidatura tucana não emplacou. É difícil que Alckmin consiga, ao lado de ACM, se queixar da corrupção. É como se fossem Parreira e Roberto Carlos pedindo outra chance.

É preciso renovar, e não só na seleção. Os trabalhadores não merecem a continuidade do que está aí. O povo brasileiro não tem só uma cultura futebolística fantástica. Não tem só a capacidade de criar jogadas fabulosas e sonhar com a bola nos pés.
Tem também uma tradição de luta operária e popular impressionante. Este povo derrotou a ditadura com as grandes mobilizações das Diretas Já, e derrubou Collor.
Foram as grandes greves operárias da década de 80 que mudaram o panorama sindical e político deste país, criando a CUT e o PT. E agora, quando a CUT e o PT cumprem o mesmo papel dos pelegos e dos partidos dominantes daquele tempo, o povo pode tirá-los também do caminho.

A avaliação, muitas vezes ouvida, de que o povo brasileiro é por natureza passivo, não tem nada a ver com a realidade. Expressa somente estes anos de refluxo das lutas e a esperança de que tudo se resolveria com a eleição de Lula.

Agora os tempos são outros. A América Latina está indicando novos tempos de convulsões sociais. Só a mobilização direta dos trabalhadores pode acabar com a exploração e a corrupção. Pouco a pouco, os primeiros passos começam a ser dados. A construção da Conlutas, em maio deste ano, foi um primeiro passo para esta mudança.
Também há pouco, no terreno eleitoral, foi formada a Frente de Esquerda, reunindo PSTU, PSOL e PCB, com a candidatura de Heloísa Helena à Presidência da República. Nós impulsionamos a unidade da esquerda nas lutas e nas eleições.

Agora que acabou a Copa, é hora de luta! Isso significa apoiar as mobilizações salariais que estão em curso e a campanha da Conlutas contra o Super Simples. Significa também começar a campanha eleitoral da Frente de Esquerda.
É preciso colocar a campanha nas ruas, o que começa já nesta semana com o ato da frente no Rio de Janeiro. É preciso multiplicar as iniciativas com os primeiros panfletos, a preparação da vanguarda, a agitação nas portas de empresas, os debates.

Agora é luta! Não queremos que os trabalhadores terminem como a seleção, derrotados sem lutar.

Post author Editorial do Opinião Socialista 264
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