Dois mil sem-tetos ocupam a Dutra

Os moradores sem-teto do Pinheirinho fizeram, na manhã desta quarta-feira, uma marcha e ocuparam as duas pistas da Rodovia Presidente Dutra, na altura do km 156. O ato, que contou com mais de dois mil manifestantes, é a segunda marcha de uma série de manifestações. Essas marchas serão realizadas semanalmente, e estão sendo conhecidas como “Abril de Lutas”.

A intenção do “Abril de Lutas“ é mostrar a revolta contra a falta de políticas para a habitação, além de chamar a atenção da população para o problema dos sem-teto, que correm o risco de terem suas casas demolidas, graças a uma ação da Prefeitura.

O ato
A marcha começou no Pinheirinho por volta das 8h30, com milhares de manifestantes carregando maquetes de casas, faixas e cartazes. Um deles dizia “Cury [Eduardo Cury, prefeito de São José], só queremos casas para nossas crianças”; outra comparava a política do prefeito a de ditadores fascistas.

A caminhada passou pelos bairros Residencial União, Vale do Sol e Chácaras Reunidas. Em todos eles, foram feitos apelos à população para que se junte ao movimento e o apóie.

No bairro Chácaras Reunidas, os manifestantes pareciam se dirigir à fábrica da LG.Philips, paralela à Via Dutra, mas os sem-teto entraram na Via Dutra e ocuparam as duas pistas nos dois sentidos.

Após alguns minutos, a marcha continuou pelo acostamento da pista sentido Rio de Janeiro. A manifestação continuou até o fábrica da Eaton. As duas faixas desta pista foram ocupadas e, pouco depois, a marcha foi finalizada. O que fica após o ato são os gritos de resistência e mobilização dos sem-teto.

Advogados vão recorrer
Os advogados do movimento sem-teto vão recorrer da decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que, a pedido da Prefeitura de São José dos Campos, manda derrubar os barracos no acampamento Pinheirinho.

A ordem judicial, porém, não autoriza a retirada das famílias do local. “Além da mobilização neste `Abril de Lutas`, vamos recorrer desta decisão no Superior Tribunal de Justiça, em Brasília“, afirmou o advogado do movimento, Antonio Donizete Ferreira, o Toninho.