Do nacionalismo à colaboração com o imperialismo

O Egito é uma referência de luta no mundo árabe devido à história de lutas anticoloniais e enfrentamentos com o imperialismo. Protetorado do império britânico, o país conquistou a independência em 1922, mas permaneceu sob a influência do imperialismo britânico, que manteve o controle do Canal de Suez.

Em 1952, um golpe nacionalista do exército, liderado por Gamal Nasser, derrubou o rei Faruk I. Em seguida, Nasser enviou tropas para ocupar o canal e o nacionalizou. A ação inflou seu prestígio aos olhos dos povos árabes e tornou o presidente egípcio o principal articulador do chamado “pan-arabismo”, o movimento nacionalista árabe. Isso explica também parte do prestígio que as Forças Armadas ainda mantêm no país. Tudo isso só cresceu depois dos constantes enfrentamentos com o Estado de Israel e o apoio do país à luta do povo palestino.

O nasserismo pode ser comparado ao peronismo na Argentina e foi grande catalisador do movimento nacionalista árabe, que se formava em oposição às monarquias conservadoras então existentes. Também era visto como a principal direção da luta dos povos árabes contra o imperialismo e seu principal agente na região, Israel. Mas o nacionalismo burguês de Nasser revelaria suas profundas limitações. Não propunha nenhuma expropriação da burguesia e mantinha a exploração capitalista e a miséria crescente do povo egípcio.

O declínio do nacionalismo pan-árabe é marcado por duas derrotas militares contra Israel (apoiado fortemente pelos EUA) na Guerra dos Seis Dias (1967) e na Guerra do Yom Kippur (1973).

Com a morte de Nasser, seu sucessor, Anwar Sadat, dá início a uma guinada à direita na política externa do Egito. Capitulando completamente ao imperialismo, em 1979, o presidente fecha com os EUA e Israel o acordo de Camp David, no qual reconheceu esse Estado e abandonou a luta contra ele. O acordo marcou o fim do papel relativamente progressivo que o nacionalismo árabe laico havia cumprido no passado, enfrentando o imperialismo.

Sadat foi assassinado em 1981. Seu sucessor, Hosni Mubarak, aprofundou essa guinada e transformou o Egito em uma peça chave da política do imperialismo norte-americano no Oriente Médio.
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