Dirceu Travesso: Para quem não conheceu meu camarada e irmão Martinho

Estávamos no Guarujá, fazendo um curso da velha Convergência. Os pais de um companheiro tinham uma casa lá em um bairro mais afastado. Tivemos uma folga um dia e fomos ao centro do Guarujá, não me lembro o nome da praia, mas daquelas, ainda mais naquela época que só tinha gente bonita.

E nós, parecendo os flagelados: Martinho, Fapu, Joy, eu, Bere e outros. Sentados olhando aquelas pessoas, vira o Martinho e solta “Didi, aqui, todo mundo foi criado a leite de beija flor….

A outra, meu amigo Pazin que me perdoe. Em uma reunião o Paulo Pazin, que chamávamos de “Saboroso”, todo sério, começa a discutir que não devíamos chamá-lo de Saboroso, que era um apelido que não ajudava, que não dava idéia de seriedade, blá, blá, blá Estávamos tentando furar o bloqueio do MR 8 no Caaso. Já estava lá o Capeta e o Pazin tinha entrado também na EESC. Depois de muito papo sério do Pazin, silêncio completo, a gente sem saber o que dizer, vira o Martinho “… pode ficar tranqüilo, não te chamaremos mais de Saboroso, ô Paulinho Delícia”.

Esse foi a figura, baixinho, pequeno, provocador (instigador) por natureza. Entramos juntos em julho de 77 para sermos engenheiros encontramos em São Carlos, entre amigos e camaradas, outros horizontes e sonhos onde depositarmos nossas energias. Fomos atropelados pela riqueza e generosidade da vida, que impulsiona, leva e eleva a sobrevivência em sonhar uma vida que possa ser gozada em toda sua plenitude (como diria o velho Leon).

Faleceu no dia 4 de novembro em um acidente estúpido. Tinha terminado o seu horário de trabalho, caminhava pelo pátio de manobra de trens e foi atropelado. Desta vez foi atropelado por um trem da estupidez e mediocridade que também fazem parte da vida. Enquanto o trabalho não for o exercício das possibilidades humanas, mas o culto a exploração e opressão, meu irmão Martinho, presente!

Dirceu Travesso, ou Didi, é da Direção Nacional do PSTU e foi candidato ao Senado por São Paulo nessas eleições