Dilma impede protesto das trabalhadoras da educação de Barcarena

Polícia e Guarda Nacional impediram protesto por conta de visita da presidente Dilma Rousseff


Um absurdo ocorreu em Barcarena (PA), na sexta-feira, 25. Trabalhadoras da educação em greve foram impedidas de realizar uma manifestação. A polícia e representantes da Guarda Nacional foram até a sede do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp) para interromper os preparativos do protesto. Essa preocupação toda do aparelho repressor do governo federal, do Estado, e do Município se deveu à visita da presidente Dilma Rousseff a Barcarena.
 
A visita da presidente tem um caráter eleitoreiro, a inauguração do Complexo Portuário Miritituba-Barcarena. Essa grande construção teve investimento de R$ 700 milhões por parte do governo federal. De lá, sairão as exportações de grãos da empresa de agronegócios Bunge, grande produtora de soja e milho no Pará e parceira do Grupo André Maggi (Amaggi).
 
O empreendimento ficou sendo chamado de Terminais Portuários Fronteira Norte (Terfron) e movimentará muitas riquezas do solo paraense para servir a um pequeno grupo de empresários da multinacional Bunge. Em contrapartida, essa grande empresa agroindustrial firmou um termo de Cooperação Técnica entre a Fundação Bunge e a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), que compõe o Pacto pela Educação no Pará, do qual fazem parte doze empresas.
 
Parcerias Público-Privadas como esta são defendidas por empresários e governantes através de discursos de responsabilidade social, mas só permitem o avanço da privatização da Educação Pública. É nesse sentido que as trabalhadoras da educação de Barcarena, em greve desde o dia 19 de março, buscavam desmascarar o projeto Pronatec e denunciar as mazelas da educação municipal barcarenense. Contudo, foram impedidas antes de chegar à cerimônia de recepção de Dilma.
 
Dias antes, a Segurança Nacional negociou com as dirigentes do Sintepp para não fazerem nenhum protesto. Diversas ameaças foram feitas. Mesmo assim, na manhã de sexta-feira, o ônibus das trabalhadoras em educação foi interpelado ainda na estrada por policiais e direcionado à delegacia.
 
É preciso dar toda a solidariedade a essas lutadoras. Lutar não é crime. As medidas de criminalização dos movimentos sociais devem ser interrompidas imediatamente por Dilma, arquivando os inquéritos da Polícia Civil. Além disso, a presidente tem de implementar efetivamente a lei do piso salarial em Barcarena e em todo o Brasil.