Dilma governa para as mulheres trabalhadoras?

A eleição da primeira mulher à Presidência do Brasil foi um fato inédito. Gerou e ainda gera muitas expectativas. As últimas pesquisas de opinião demonstram que Dilma tem a aprovação de mais da metade da população. Sucessora escolhida por Lula para continuar o governo do PT, foi a presidente que mais nomeou ministras em toda a história do país e a única mulher a presidir uma sessão da ONU (Organização das Nações Unidas). Todos esses fatos, como ela própria costuma repetir em declarações públicas, estariam a serviço de “honrar as mulheres”. Mas é isso mesmo que Dilma tem feito para as trabalhadoras? Depois de um ano do governo Dilma, a situação das mulheres no país teve alguma mudança real?

O salário das trabalhadoras não mudou
No Brasil, há cerca de 97 milhões de mulheres. Elas compõem quase metade do mercado de trabalho, mas são a minoria entre aqueles que possuem carteira registrada. Uma grande parcela delas trabalha sem contrato de trabalho, fazendo bicos. Só um terço trabalha em empregos formais, especialmente nas áreas de saúde e educação, sendo que são a maioria entre os servidores públicos. Ocupam, em todas as esferas do mundo do trabalho, os piores postos, os mais desvalorizados socialmente e os que pagam os menores salários, por exemplo, costureiras, empregadas domésticas, manicures. Por isso, são a maioria das que ganham até um salário mínimo. E, por falar em salário, em particular, ganham em média 33% menos que um homem para exercer uma mesma função.

Não houve uma melhora real nos salários das trabalhadoras com os governos do PT. Houve um acesso mais fácil ao crédito bancário, que possibilitou uma ampliação do consumo, e, agora, as famílias sofrem muito para pagar as contas.

Corte nas políticas sociais
Por serem parte dos setores mais explorados, as mulheres sentem fortemente
os efeitos das políticas públicas e do investimento em áreas sociais. Foram retirados, em pouco mais de um ano cerca de R$ 105 bilhões do orçamento previsto para investir em educação, saúde e moradia, entre outros. O dinheiro foi para o pagamento da dívida pública, que consome quase metade (47,9%) de todo o orçamento arrecadado pelo governo. O compromisso, honrado, nesse caso, foi com o Capital e não com as trabalhadoras.

O déficit de creches no Brasil é gigantesco. Como pode, no país governado por uma mulher as trabalhadoras perderem seus empregos ou deixarem de trabalhar porque não possuem locais para deixar seus filhos? Como se pode permitir que os filhos dos trabalhadores fiquem fora das creches, perdendo esta importante etapa da educação infantil?

A violência contra as mulheres
A violência machista matava 10 mulheres todos os dias antes do governo Dilma. Agora, segue matando da mesma forma. Uma violência bestial que atinge a todas, mas que causa maiores consequências às trabalhadoras, porque dependem de que a Lei Maria da Penha funcione na prática, o que não se deu nos seus cinco anos de existência.

O problema da mortalidade materna é grave. O Brasil é o 9º país do mundo em que morrem mais mulheres por problemas relacionados às questões maternas. A medida mais recente do governo, a MP 557/2011 prevê como solução a doação de R$ 50 para as mulheres grávidas poderem se deslocar no dia do parto. O que o governo deveria fazer era deixar de dar dinheiro para os banqueiros e investir na construção de bons hospitais nas periferias. E não é só isso, todas que chegarem à unidade de saúde com suspeita de gravidez devem ser “cadastradas” em lista que não tem outro sentido senão o de ser um passo para controlar grávidas e criminalizá-las em caso de aborto. Enquanto isso, mais de um milhão de abortos são feitos todos os anos e mais de 150 mil ficam com sequelas ou morrem.

Como se vê, o discurso de Dilma encontra uma grande distância com a prática. Em essência, a vida das trabalhadoras não mudou. E, a julgar pelas políticas atuais do governo, pode-se afirmar que não mudará.

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Post author Vanessa Portugal, de Belo Horizonte (MG) e Vera Lúcia, de Aracaju (SE)
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