DF: Contra a criminalização dos metroviários

Após uma longa greve, o governo Agnelo Queiroz (PT) tenta incriminar os metroviários com a acusação fraudulenta de sabotagem para intimidar demais categorias em luta na cidadeNos últimos dias tem havido uma série de notícias sobre seguidas falhas do sistema de metrô que a empresa, o governo do DF e a Polícia Civil, vêm apontando como provocados por suposta sabotagem orquestrado pelos próprios funcionários.

Tais falhas colocam em risco a vida de milhares dos usuários e causa a indignação na população em geral. Tentam ligar esse fato à última greve da categoria, que durou 37 dias e enfrentou a intransigência do Governo Agnello. O sindicato dos trabalhadores do metrô nega essas acusações, e aponta a verdadeira causa dos defeitos: os anos seguidos de baixo investimento, precariedade no serviço de manutenção e restrição de pessoal especializado.

Quem mora no DF, acompanha as notícias sobre o metrô e costuma utilizá-lo diariamente há muito tempo sabe que defeitos e problemas graves no funcionamento das linhas não são de agora ou um episódio isolado. As panes no sistema existiam antes e persistem depois da greve da categoria. Não é raro que no caminho para o trabalho ou para casa os usuários fiquem presos nos trens, por vários minutos parados dentro dos túneis.

Mesmo depois da greve, por exemplo, o sistema está operando com apenas 20 de seus 32 trens, pois os demais estão parados na manutenção. E, mesmo depois de “solucionado” o problema da suposta sabotagem, 2 trens foram evacuados por falhas técnicas. Também não está sendo divulgado o fato de que atualmente a manutenção é realizada por empresas terceirizadas, que detém contratos com preços absurdos, contrariando uma decisão judicial que obriga o metro a ter apenas funcionários concursados nas atividades de manutenção.

O Sindmetro-DF nega qualquer participação no planejamento ou execução das supostas sabotagens e afirma que a atividade de manipulação de cabos é exclusiva das empresas terceirizadas que realizam a manutenção. Reafirma que sempre utilizou o método legal de realização de greves para a manifestação dos interesses da categoria, e repudia qualquer tentativa de ligação da suposta sabotagem ao movimento grevista.

As terceirizações no metrô, tanto no sistema de manutenção quanto na bilheteria, ao contrário do que defende o governo, prejudicam a prestação à qualidade do serviço para a população, e servem apenas aos lucros dos empresários. O absurdo é querer atacar os trabalhadores do metrô e seu movimento sindical, que estão em campanha salarial desde dezembro passado.

Não está descartada a possibilidade de que essa pane tenha sido “inventada” pelo governo de Agnelo e a direção da empresa, com o apoio da mídia e de investigadores da Polícia Civil, para justificar a precarização atual do sistema de transporte no DF, incriminando lideranças e tentando jogar para cima dos trabalhadores uma responsabilidade que é sua, e impondo uma derrota ao movimento e intimidando as demais categorias que preparam mobilizações para os próximos meses.

Devemos lembrar que, com a conivência da grande mídia burguesa, a criminalização do movimento sindical e popular tem sido arma recente de vários governos estaduais, vide Alckimin com Pinheirinho e os estudantes da USP, Jaques Wagner com a PM da Bahia, Sérgio Cabral com os bombeiros, PMs e policiais civis no Rio de Janeiro. Aqui mesmo no DF Agnello mandou a Tropa de Choque contra os operários das obras do Estádio Nacional e os agentes da AGEFIS contra sem-terras.

Repudiamos as calúnias e as ameaças. A verdade virá à tona. Prestamos toda a nossa solidariedade aos companheiros metroviários, repudiamos a tentativa de incriminar o movimento grevista e exigimos que toda a operação do Metrô-DF seja pública, realizada por funcionários aprovados em concurso.