Dengue no Rio: governos são culpados

Epidemia faz a 50° vítima, enquanto governo corta quase metade de verbas para combater a doençaA epidemia de dengue no Rio de Janeiro avança assustadoramente. A doença já atingiu uma letalidade 20 vezes acima do tolerável e vitimou a 50° vitima no último dia 25. No entanto, o número ainda pode ser maior. O próprio secretário de saúde do Rio admite que, pelo menos, outras 50 mortes registradas desde janeiro podem estar associadas à epidemia.

Mesmo depois de registrar, em média, cerca de 900 casos por dia – ou seja, 45 novos casos por hora -, o prefeito César Maia (DEM) teimava em dizer que não havia epidemia alguma. Após registrar mais de 24 mil casos, o prefeito admitiu, enfim, o surto da doença. A prefeitura não planejou nenhuma ação direta ou programa de trabalho específico contra a dengue no Orçamento de 2007.

Mesmo assim, a prefeitura tenta lavar as mãos diante do caos. No último dia 25, o secretário de Saúde da prefeitura, em entrevista à Rede Globo, colocou a culpa da proliferação da doença nas chuvas e no clima tropical da cidade. Como se não bastasse, ele ainda afirmou que os cariocas terão de “conviver com o aedes aegypti” – mosquito transmissor da dengue.

Engana-se, porém, quem pensa que a responsabilidade pelo surto seja uma exclusividade da administração de César Maia. As campanhas realizadas pelos governos federal e estadual são apontadas como insuficientes. Especialistas criticam as campanhas de combate à doença são de apenas um dia. De acordo com eles, o combate ao mosquito deve ser feito de forma permanente e ao longo prazo.

Contudo, o que predomina é o mais completo desprezo ao combate à doença. Uma reportagem da Folha S. de Paulo revelou que o governo se Sergio Cabral (PMDB) reduziu em 48,6% os gastos em prevenção e combate à dengue para este ano no Rio. Os R$ 39,5 milhões orçados em 2007 para combater a doença, foram reduzidos quase pela metade (R$ 20,3 milhões) em 2008. Mesmo depois de a epidemia assolar o estado, até o dia 24 de março apenas R$ 704 mil do total orçado (3,5% do total) haviam sido aplicados na área.

Desde 2004, foram cortadas as verbas estaduais de “vigilância epidemiológica (de doenças)” e “vigilância em saúde”, de R$ 45,6 milhões (valores corrigidos pelo IGP-M) para R$ 39,5 milhões (2007).

Enquanto isso, o governador Sergio Cabral faz todo tipo de demagogia, anunciando medidas paliativas e insuficientes para deter a epidemia, como a criação do disque-dengue e a orientada dada a população para usar calças e blusas de manga comprida para evitar picadas do mosquito transmissor.

Caos nos hospitais públicos
Enquanto a epidemia se alastra na mesma proporção da irresponsabilidade dos governos, os moradores do Rio sofrem com a falta atendimento nos hospitais públicos. Enfermagens estão lotadas e filas de espera são longas. A epidemia só aprofundou a crise do sistema de saúde pública do estado.

É justamente pela falta de atendimento que aumentam as causas da letalidade da epidemia. Como disse o dr. Dráuzio Varela, maior absurdo do que a epidemia de dengue são as pessoas morrerem em função da doença. “Pelo amor de Deus, é só atendimento médico! Isso quer dizer que brasileiros morrem por falta de atendimento médico”, disse.

O caos no atendimento tem provocado protestos da população. Representantes de associações de bairros realizaram, no último dia 20, uma manifestação em frente ao Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, Zona Sul do Rio, em protesto ao aumento dos casos de dengue na cidade e a demora no atendimento nos hospitais.

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