Demissão de Rogério Romancini da Volks completa 1 ano

Rogério participa de ato no Rio de Janeiro durante campanha
Agência Cromafoto

No dia 13 de fevereiro de 2007, às 22h30, sexta-feira de carnaval, Rogério Romancini recebia a notícia de sua demissão da fábrica. Diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC na Volkswagen, ele foi eleito pela chapa de oposição. Rogério é maquinista e foi retirado da fábrica por dois seguranças. Ali iniciava um ataque violento à organização sindical independente dos trabalhadores numa das categorias mais organizadas do país.

Hoje, um ano depois, o processo de reintegração rola na Justiça, mas Rogério continua fora da fábrica. Durante um mês, negociações com a diretoria majoritária da Articulação Sindical/PT, corrente que dirige majoritariamente o sindicato e ligada ao governo federal, tentaram ver formas de resistir a essa perseguição da multinacional alemã.

Após muita conversa, a Articulação nada fez. A Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), junto com movimentos sociais e partidos de esquerda – como o PSTU, PCB e Psol – começaram uma campanha nacional e internacional contra a demissão.

Antes de rogério, outro diretor do sindicato já havia sido demitido, em novembro de 2006, o Luiz Carlos, mais conhecido como Biro-Biro. Em 16 de março, começou o acampamento pela reintegração de Rogério e Biro-Biro. Foram 60 dias em frente à principal entrada da fábrica, entregando panfletos, conversando com os demais operários e realizando atos. O acampamento culminou com a ida dos dois demitidos para a Alemanha a convite de trabalhadores reunidos no Conselho Internacional dos Trabalhadores nas Indústrias Automotivas, que reuniu 600 pessoas, com 50 convidados de 17 países.

A guerra paralela na Justiça
No caso de Rogério, a Justiça de São Bernardo deu sentença favorável ao retorno ao Rogério. A empresa, no entanto, recorreu da decisão e conseguiu uma medida cautelar que impediu o retorno imediato do operário. Ele, agora, aguarda o julgamento final do processo na 2ª Instância de São Paulo.

Entretanto, a batalha é mais dura e necessita de mobilização e solidariedade dos mais amplos setores da classe trabalhadora e dos movimentos sociais. Essa luta, infelizmente, não conta com as armas do sindicato, hoje vinculado ao governo Lula, que abandonou os dois trabalhadores à sua própria sorte.

Mas eles têm o apoio de um novo setor que se levanta e começa a se reorganizar apesar de suas direções negligentes, como no caso do sindicato do ABC. Mesmo demitido, Rogério está concorrendo, pela Chapa 2 – Oposição – ao eleição para o Comitê Sindical de Empresa. A Volks, naturalmente, contestou sua candidatura.