Declaração da UST da Venezuela contra as calúnias de Petras

Quando não se encontram argumentos, se recorre à baixariaRecentemente, o intelectual James Petras, conhecido crítico de Bush e simpatizante do chavismo, emitiu declarações denunciando que setores de esquerda, concretamente “setores trotskistas ligados ao PSTU (seção brasileira da Liga Internacional dos Trabalhadores)” e “um setor sindical ligado ao PSTU (…) concretamente o senhor Orlando Chirino”, teriam se colocado ao lado de estudantes de direita que recebem fundos e são treinados pelos Estados Unidos.

Uma vez que a Unidade Socialista dos Trabalhadores (UST) é seção venezuelana da LIT e organização irmã do PSTU brasileiro, nos sentimos diretamente caluniados pela acusação sem fundamento feita pelo mencionado intelectual acadêmico.

Em primeiro lugar, queremos denunciar o método para levar o debate político e ideológico sobre a condução do processo revolucionário na Venezuela, no qual são inexistentes ou poucos os argumentos e muitas as desqualificações e a censura. Nós consideramos que na encruzilhada em que se encontra o processo revolucionário venezuelano, agora mais do que nunca, é necessário o debate esclarecedor e as acusações sem fundamento não ajudam a aclarar o panorama.

A utilização do método estalinista de acusar sem responsabilidade, sem provas, é, em si mesma, uma evidência da falta de argumentos para rebater as posições expostas no referendo sobre a reforma constitucional.

Em segundo lugar, desde já exigimos ao senhor Petras que se retrate ou que apresente as provas de nossa vinculação ao imperialismo norte-americano. A cobertura e a difusão de suas opiniões não lhe dão direito de servir de veículo para a repressão e a desqualificação chavistas.

Em terceiro lugar, como sabemos que essas provas não existem, e enquanto o senhor Petras não se retrata, solicitamos às organizações sociais e políticas que se dizem do campo revolucionário a rechaçar este tipo de atitudes que em nada contribui no debate, muito necessário, para aprofundar o processo revolucionário em curso na América Latina, especificamente na Venezuela.

Em quarto lugar, denunciamos o mesmo tratamento imposto ao dirigente sindical Orlando Chirino, quem, apesar de não militar nas fileiras da LIT, coincidiu conosco na caracterização da reforma constitucional apresentada por Chávez. Neste sentido, apoiamos seu chamado à constituição de um tribunal internacional composto por destacadas figuras dos direitos humanos e das lutas sociais, e que tenham honestidade em sua conduta, para avaliar quem mente. O senhor Petras, caso se considere responsável, deveria responder a esse chamado.

Por último, a UST declara que este tipo de acusações sem fundamento não a amedronta. Nossa organização seguirá lutando ao lado dos trabalhadores e do povo no aprofundamento do processo revolucionário, contribuindo para o debate e para esclarecer a confusão que Chávez tem provocado quanto ao socialismo no movimento revolucionário, fazendo o jogo do imperialismo ao preparar o terreno rumo a uma derrota histórica se não corrigimos o rumo a tempo. Não somos deuses nem pretendemos ser caudilhos com a verdade absoluta, mas é evidente a repetição de erros que conduziram a derrotas em outros lugares e isso é preciso denunciar. A burguesia opositora levantou a cabeça graças ao apoio do imperialismo, não podemos duvidar; mas, fundamentalmente, a causa foi a burguesia chavista que dá voltas em torno de um mesmo ponto, muda as frases para que tudo siga igual. O povo percebeu o engano e se pronunciou. Cabe aos revolucionários entender a mensagem e atuar.