Da homofobia verde-oliva ao assassinato de jovens

Dois acontecimentos recentes mostraram a verdadeira cara do Exército Brasileiro. O primeiro deles, a prisão do sargento Fernando Figueiredo e de seu companheiro, o também sargento Laci Araújo. Eles foram detidos pela polícia do Exército após revelarem seu relacionamento homossexual à revista Época e denunciarem os preconceitos e ameaças que sofriam na corporação. Laci foi preso acusado de deserção depois de conceder entrevista a uma emissora de TV. Segundo um advogado da OAB de São Paulo, o sargento teria sido torturado pelos militares na cadeia.

Em seguida, Figueiredo foi preso. Dessa vez, a desculpa não podia ser mais ridícula. Segundo o Exército, o sargento foi detido por se apresentar em público “mal uniformizado”.

O caso é um claro exemplo de homofobia e perseguição àqueles que decidem confrontar o preconceito e dar um basta, inclusive, à hipocrisia de uma instituição que prefere que soldados mintam sobre suas vidas do que assumam sua homossexualidade. É isso o que mais incomoda os generais: ficar claro que existem vários homossexuais nas Forças Armadas, reprimidos, sofrendo terríveis preconceitos, mas mantidos em silêncio.

Bandidos de farda
O segundo acontecimento lamentável foi o assassinato de três jovens moradores do Morro da Providência, no Rio de Janeiro, ocupado pelo Exército desde 2006. Os jovens foram detidos pelos militares e levados até traficantes de uma favela rival, onde foram executados. O episódio provocou a fúria dos moradores, que denunciam o toque de recolher no morro e a truculência dos militares contra a população local.

Os moradores realizaram protestos. Operários chegaram a paralisar uma obra do PAC. Eles se recusam a prosseguir com os trabalhos enquanto o exército continuar a ocupação da favela.

A morte dos jovens mostra que o exército age igual a organizações criminosas como as milícias e a corrupta polícia militar e civil. Nelas é comum a associação com grupos de traficantes, a prisão e a entrega de integrantes de quadrilhas rivais para serem executados. O exército entrou nesse jogo. Cai por terra a imagem de “incorruptível” que, alicerçada num profundo preconceito social e racial, reforçava o amplo apoio da classe média carioca que aplaudia de pé as ocupações de favelas.

A ocupação de favelas pelo Exército não resolve o problema da criminalidade, por não encarar a questão social da miséria. Mostra também que, ao se colocar o exército ocupando as funções de polícia, se incorporam nele a mesma corrupção e as negociatas que apodrecem hoje a polícia carioca.

Post author Douglas Borges, da Secretaria GLBT do PSTU, e Wilson H. Silva, da Secretaria de Negro(as) do P
Publication Date