Cutistas acabam com a greve da Caixa Econômica Federal

Teve fim nesta terça-feira, após uma semana, a greve dos bancários da Caixa Econômica Federal. Os trabalhadores presentes nas assembléias em todo o país votaram na proposta negociada pelo sindicato com o banco na madrugada do dia 9 de outubro.

A proposta da Caixa foi praticamente a mesma apresentada pela Federação Nacional dos Bancos aos trabalhadores do Banco do Brasil e dos bancos privados. O reajuste ficou em 6%. A Participação nos Lucros e Resultados (PLR) para os empregados com salários mais altos – gerentes, funções gratificadas, cargos comissionados – deve diminuir relativamente, chegando a R$ 4.362,84. Para os demais funcionários, com salários mais baixos – técnicos e escriturários -, a PLR deve ficar em R$ 4.100.

A Caixa se comprometeu, ainda, em apresentar um Plano de Cargos e Salários até julho de 2008. Na proposta do banco, porém, só estão incluídos os trabalhadores da ativa. Pela negociação, os dias parados não deverão ser descontados ou compensados.

Podia ter sido mais
Os bancários exigiam reajuste de 10,3%, o que lhes daria 5,5% de aumento real; PLR de R$ 3.500 mais dois salários mínimos; isonomia e piso salarial de R$ 1.628,24. Entretanto, com a ajuda inestimável da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT), a Caixa conseguiu que os bancários aceitassem a proposta rebaixada.

A Caixa ameaçou levar a questão ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), aprovando o dissídio coletivo da categoria na justiça caso não voltasse ao trabalho. Diante disso, o comando de greve, de maioria cutista, aceitou a proposta.

Nas assembléias, os setores ligados à Contraf/CUT fizeram um verdadeiro terrorismo com os bancários. Eles colocaram a discussão no nível do “tudo ou nada”: ou os bancários aceitavam a proposta, ou teriam de engolir o dissídio que seria aprovado no TST. Esta tática de desmobilização já foi utilizada na última greve dos Correios, quando a ECT ameaçou ajuizar o dissídio no tribunal, e vem se tornando uma prática de coação recorrente do governo Lula.

O Movimento Nacional de Oposição Bancária (MNOB) defendeu outra proposta: a manutenção da greve. O movimento grevista estava forte em todo o país e resistindo às ameaças do banco. Segundo Wilson Ribeiro, bancário da Caixa e delegado sindical, membro do MNOB, era possível alcançar uma negociação melhor. Ele diz que a isonomia, a PLR integral e a garantia de que o Plano de Cargos e Salários não estivesse vinculado a um fundo de pensão e fosse estendido aos aposentados poderiam ter sido conquistas da greve.

“O sindicato, a Contraf e a CUT já começaram a desmontar a greve quando aceitaram a proposta da Fenaban para o BB e os privados”, diz Wilson. “Mas a surpresa é que a Caixa, mesmo isolada, fez uma greve muito forte, inclusive com adesão de alguns gerentes. O terrorismo da CUT tirou a segurança dos bancários”, opina.