CUT e outras centrais apresentam ao governo proposta de redução dos salários como alternativa para conter a crise

Presidente da CUT encontra presidente Dilma em 2013
Planalto/Divulgação

As notícias divulgadas nesta terça-feira (25), mais uma vez, tratam de novas investidas das maiores centrais sindicais do país, em números de entidades filiadas, na aplicação de uma política de conciliação de classes em prejuízo das conquistas e direitos dos trabalhadores. Segundo seus principais dirigentes “para garantir mecanismos que protejam o emprego em momentos de crise”. A ofensiva agora se explica em base a dois pilares: os fortes efeitos da crise econômica mundial em nosso país, com reflexos duros sobre a produção industrial, e o aprofundamento da aplicação de uma concepção sindical que sepulta os fundamentos classistas do nascedouro de algumas delas, como por exemplo a CUT. 

 “Não é um programa que discuta uma dificuldade momentânea da empresa por uma questão particular. Seria por crise econômica constatada pelo Ministério do Trabalho e da Fazenda. Não é opinião do empresário e nem do trabalhador”, fundamenta entusiasmado Wagner Freitas, presidente da CUT. Com essa postura, o dirigente sindical escancara a visão de mundo de sua central, que passa a propagar o Estado capitalista como neutro e independente das classes sociais. Concluindo, portanto, que nós, trabalhadores e trabalhadoras, devemos depositar nesse mesmo Estado, toda nossa confiança.

Wagner ainda afirma: “haveria redução da jornada de trabalho e dos salários e o governo, por sua vez, abriria mão de alguns tributos – não especificados – além de contribuir com recursos para que o salário do trabalhador não caia muito”. Viram? Pois é, para que o salário do trabalhador não “caia muito”, o governo vai reduzir impostos para os empresários e ainda, com recursos públicos, pagaria uma pequena parte do salário do trabalhador que fosse cortado pela empresa. Como se diz pelas bandas do Norte do Brasil: “taí um garimpo sem malária” para o empresariado brasileiro. Ou seja, a CUT e as centrais oficialistas, armando com o governo Dilma-PT e os patrões pra cima dos direitos dos trabalhadores.

Na reunião ocorrida nessa quarta, 26, no Ministério da Fazenda, participaram também a Força Sindical, a CTB, a UGT e a NCST. Ao que parece, todos os atores presentes defenderam esse novo modelo e vão acelerar essa emblemática iniciativa de colaboração de classe, combinando, evidentemente, todo apoio ao governo petista no Palácio do Planalto.  

Não é primeira vez que a CUT tenta facilitar a vida das empresas. No final de 2013, a partir do sindicato do ABC, tentou emplacar o chamado ACE (Acordo Coletivo Especial). Neste tipo de acordo, sempre defendido pela tucanalha, o negociado prevaleceria sobre o legislado. Essa proposta foi derrotada porque nossa central, a CSP-Conlutas, em unidade com outras centrais e inúmeras entidades sindicais e do movimento popular, algumas filiadas à própria CUT, desencadeou uma campanha nacional contra o ACE, acusando-o de responder somente aos interesses dos empresários.  

Estamos chamados a lutar contra mais esse ataque. Trata-se de um desafio que nos exigirá ampla unidade de ação entre os sindicatos, federações, confederações, centrais sindicais e movimentos sociais em geral. Os trabalhadores não devem pagar pela crise! Eis uma bandeira tão atual, quanto a necessidade de lutarmos em defesa de nossos direitos. Para obtermos êxito nessa batalha, é preciso levantar bem alto as bandeiras do classismo, da independência frente aos governos e patrões e apostar na combatividade de nossa classe, na luta direta e nas ruas.  

Exigimos da CUT e das demais centrais que rompam com governo, abandonem essas negociações e juntem-se à luta em defesa dos empregos e dos direitos dos trabalhadores. Para proteger os trabalhadores da crise, Dilma-PT deve editar uma medida provisória que impeça a demissão em todas as empresas que se beneficiaram de isenções de impostos e financiamentos públicos, bem como nas empresas envolvidas em escândalo de corrupção.
 

  – Redução da jornada sem redução salarial! 

 – Não as demissões em empresas que se beneficiaram de isenções de impostos e financiamentos públicos! 

 – Nenhum direito a menos. Contra a terceirização e a precarização do trabalho!  

Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas