28/12/2017- Rio de Janeiro - O prefeito Marcelo Crivella concede entrevista coletiva em seu gabinete para anunciar mudança na gestão do Hospital Rocha Faria Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 Cyro Garcia, pré-candidato à Prefeitura pelo PSTU

As declarações do prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) responsabilizando a população pela enchente que acomete o município e outras cidades da área metropolitana do Rio de Janeiro são revoltantes e merecem o repúdio de todos. Não é à toa que o prefeito foi hostilizado por moradores do bairro do Barata, em Realengo, na manhã desta segunda-feira, dia 2 de março, quando visitava o local duramente castigado pelo temporal, e foi atingido por uma bola de lama no rosto quando dava uma entrevista para a imprensa.

A forte chuva que atingiu o Rio de Janeiro desde a noite de sábado deixou um rastro de destruição e mortes, já são quatro vítimas fatais e inúmeros prejuízos e danos para os trabalhadores e a população mais carente.

As declarações de Crivella de que a culpa é porque as pessoas “gostam de morar” perto de áreas de risco porque gastam menos com “cocô e xixi” demonstram mais uma vez o caráter elitista de um governo que dia a dia tem total descaso com as necessidades e o sofrimento do povo carioca.

Ninguém escolhe morar em área de risco porque gosta. A ocupação desordenada de morros e encostas é responsabilidade dos sucessivos governos municipais, estaduais e federal que não garantiram plano habitacional que atendesse o enorme déficit habitacional. Assim como a responsabilidade pela coleta e tratamento de esgoto é do estado e não da população.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mais recente, o déficit habitacional atingiu maior marca em 10 anos no Brasil, que sofre com falta de 7,77 milhões de residências para que a população encontre não apenas condições decentes de vida, mas tenham acesso ao que é considerado direito humano à habitação.

O Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento – SNIS – de 2019 informa que mais de 100 milhões de brasileiros não contam com coleta de esgoto e 35 milhões sequer têm acesso a água potável. A falta de saneamento básico é um dos principais problemas do Rio de Janeiro. Apenas 35% do esgoto do Rio de Janeiro é tratado, vimos recentemente a conseqüência disso com a contaminação da água do Rio de Janeiro. O não tratamento do esgoto acarreta doenças, danos ambientais, econômicos e sociais.

Assim como em Minas Gerais, onde dezenas morreram em conseqüência das chuvas, a Prefeitura do Rio de Janeiro usou apenas 30% das verbas para ações de prevenção a enchentes em 2019.  Dados divulgados pelo portal G1 mostram que Crivella tinha à disposição cerca de R$ 500 milhões, mas gastou R$ 164 milhões até 15 de outubro de 2019. Em novembro do ano passado, previa uma nova redução para este ano 2020.  O Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2020 apontava uma redução de 38% no dinheiro destinado para essa finalidade.

Ora, o Rio de Janeiro é uma região chuvosa por natureza que, com crescimento populacional, exige mais que nunca investimentos permanentes para prevenção de enchentes. A responsabilidade pela destruição causada pelas chuvas é dos sucessivos governos que, entra ano sai ano, nada fazem para prevenção de enchentes, no saneamento básico e na oferta de habitação para população carente. As graves conseqüências das chuvas no Rio e no país são conseqüência da política dos governos que privilegiam os ricos em detrimento dos interesses da maioria da população.

É preciso dar um basta a todo esse descaso com organização dos trabalhadores e da população carente para impor um programa que garanta moradia e saneamento básico para todos, através de um plano de obra públicas, que previna enchentes e garanta melhores condições de vida e trabalho para todos.

Lama é pouco para Crivella e todos os governantes, é preciso botar para fora Crivella e todos os governos e jogá-los na vala do lixo da história.