Cresce a criminalização dos movimentos sociais

Sob o governo Lula, a repressão aos movimentos sociais está batendo todos os recordes. De acordo com os números da Comissão Pastoral da Terra (CPT), entre janeiro e agosto os despejos judiciais cresceram 84%. Até agosto, 223 pessoas foram presas, 41% a mais do que em 2002. Mais impressionante é o número de assassinatos. Até o final de setembro já eram 60 os trabalhadores mortos, o dobro do registrado no mesmo período de 2002.

Os latifundiários são os responsáveis, mas o governo Lula é cúmplice, pois não enfrenta o latifúndio e nem defende os movimentos. À violência no campo somam-se despejos, prisões e mortes de lideranças dos movimentos urbanos. Em Recife (PE), o prefeito João Paulo (PT) prendeu mais de dez lideranças dos “kombeiros”.

UMA VITÓRIA DA CAMPANHA: Diolinda e Mineirinho são soltos

Onze presos políticos do MST em São Paulo conseguiram uma primeira vitória: o habeas-corpus do Superior Tribunal de Justiça contra um dos processos. Com isso, Diolinda Alves e Felinto Procópio, o Mineirinho, serão libertados. Zé Rainha também foi beneficiado com a decisão, mas continuará preso, já que tem um prisão preventiva decretada por porte de arma ilegal de arma. Também existem outros processos, nos quais o juiz Átis de Oliveira pode determinar ordens de prisão.

Está demonstrado que esta vitória é resultado das atividades da campanha, como a do dia 23 de outubro, na Faculdade de Direito da USP. Apesar da força do ato, faltaram duas coisas. Os principais dirigentes da CUT não compareceram e a maioria dos oradores não identificou os principais responsáveis, como se no país e no estado não houvesse governo. O PSTU identificou o governador Geraldo Alckmin (PSDB) como o principal arquiteto da escalada de violência contra os movimentos no estado e o governo Lula como cúmplice.

POLICIA FEDERAL PRENDE DIRIGENTES DOS SEM-TETO NO AMAZONAS

Há algumas semanas, o governador Eduardo Braga (PPS) ordenou que a Polícia Militar do Amazonas ateasse fogo nos barracos de uma ocupação. Os sem-teto resistiram e colocaram a Tropa de Choque e os seguranças contratados para correr. Dias depois, a Polícia Federal prendeu Julio Ferraz, do Movimento dos Sem Teto de Luta (MSTL) e Ismael de Oliveira, do Movimento dos Sem Teto do Amazonas (MSTA), acusados de formação de quadrilha e depredação do patrimônio público. Estas organizações dirigem 52 ocupações em Manaus (AM), com 30 mil pessoas.

É preciso crescer a campanha contra a criminalização dos movimentos e pela libertação de todos os presos políticos no governo Lula, independentemente do movimento a que pertençam.
Post author Américo Gomes,
de São Paulo (SP)
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