Corte de juros nos EUA não segura queda das bolsas

No último dia 22, o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, anunciou um corte de 0,75 ponto na taxa de juros, que foi de 4,25% para 3,5%. A taxa determinada pelo Fed é referência para os juros cobrados para empréstimos e financiamentos das instituições financeiras. O governo norte-americano espera estimular o consumo e a economia do país com a medida.

O banco antecipou a reunião que faria no dia 30 para anunciar o maior corte em quase 25 anos, dando a real dimensão da crise que abalou os mercados financeiros de todo o planeta. Foi a primeira reunião extraordinária realizada pelo banco desde o ataque de 11 de setembro de 2001.

O anúncio garantiu uma tranqüilidade relativa aos mercados no dia de seu anúncio. A bolsa de Londres subiu 2,9%. A de Paris teve alta de 2,07%. Frankfurt, 0,3%. A bolsa de Nova Iorque, que esteve fechada no dia anterior por conta do feriado de Martin Luther King, caiu 1,06%. Já a Bovespa teve alta de 4,45%, porém impulsionada principalmente pela descoberta de novas reservas de gás pela Petrobras.

No entanto, assim como o pacote financeiro de Bush, o corte do Fed não conseguiu debelar a crise financeira. No decorrer do dia 23, as bolsas de todo o mundo já operavam novamente em queda. Desta vez, o anúncio de que o Banco Central Europeu não reduziria também os juros foi o motivo para as bolsas despencarem. Só em 2008, as bolsas de valores já acumularam perdas de US$ 7,3 trilhões. O presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet realizou pronunciamento no qual constata uma perspectiva de crescimento menor na zona do euro, mostrando que a crise não se restringe aos EUA, contaminando também o outro pólo da economia capitalista.

O mercado financeiro reflete a perspectiva econômica dos investidores e especuladores para o próximo período. Com o cenário de desaquecimento e recessão da economia do coração do império, o sistema financeiro vislumbra um cenário cada vez mais sombrio para 2008. Além disso, a crise pode estar muito mais perto do que todos imaginam. O anúncio dos prejuízos dos bancos nos últimos meses pode ser muito pior do que o divulgado, devido a manobras e maquiagens contáveis.

O megaespeculador húngaro, o experiente George Soros, mostrou-se assombrado com a crise. “A situação está muito mais séria do que em qualquer outra crise financeira desde o fim da Segunda Guerra”, declarou a um jornal dinamarquês.