Corrupção nas obras do metrô e trens de SP atinge diretamente o governo Alckmin e PSDB

Corrupção no Metrô de SP está cada vez mais perto de Alckmin e do PSDB

Secretários de Alckmin são acusados; Ministério Público propõe acordo à Alstom para encerrar investigações

Parece que está longe de terminar o escândalo de corrupção envolvendo o governo de São Paulo e empresas estrangeiras formadoras de cartel. A última notícia foi de que o Ministério Público de São Paulo, via Promotoria do Patrimônio Público, que deveria investigar o escândalo, ofereceu um acordo à Alstom para que o processo fosse encerrado. A empresa teria de pagar cerca de R$ 80 milhões.
 
Segundo o jornal Folha de S. Paulo desta sexta-feira, o MP-SP afirma ter provas documentais de que “recursos oriundos da Alstom francesa foram remetidos para uma conta secreta na Suíça, que abasteceu uma empresa de fachada”. A Alstom, certamente confiante na impunidade, recusou o acordo, contradizendo a existência de provas. A empresa foi acusada pela multinacional alemã Siemens, que assinou um acordo de delação premiada com a Justiça e colabora com as investigações.

 
Antes disso, uma das principais testemunhas no processo judicial que investiga a corrupção nas obras do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), durante as gestões do PSDB no governo do Estado de SP, afirmou que três dos atuais secretários da administração de Geraldo Alckmin receberam propina do cartel que ganhou as licitações.
 
Everton Rheinheimer, ex-diretor da Siemens, afirmou em depoimento à Justiça Federal que os secretários do Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Garcia, da Casa Civil, Edson Aparecido, e de Energia, José Aníbal, receberam propina das empresas que formavam este cartel. Garcia é do DEM, e Aparecido e Aníbal, do PSDB
 
Esta informação, divulgada no jornal Folha de S. Paulo (9/1/2014) fortalece os índicos de envolvimento direto da atual gestão de Alckmin e de políticos do PSDB, do DEM e de outros partidos da base aliada neste escândalo de corrupção. O caso vem sendo chamado de “trensalão”, em alusão ao “mensalão”, que levou importantes dirigentes nacionais do PT à prisão por vários crimes de corrupção.
 
Esta informação é só uma pequena parte que veio a público do depoimento do ex-diretor da Siemens, porque foi citada na decisão da Justiça Federal que encaminha o caso para o STF. A maioria do conteúdo do depoimento ainda corre em segredo de Justiça. Os três secretários envolvidos no caso são deputados licenciados e serão julgados pelo STF, pois possuem foro privilegiado.
 
Enquanto isso, população sofre com o caos no transporte
É revoltante comparar as cifras da corrupção aos anos de falta de investimento no metrô e nos trens públicos e estatais. Enquanto as grandes multinacionais lucram muito, os trabalhadores e usuários do metrô sofrem com a superlotação, as altas tarifas (que até junho de 2013 aumentavam ano após ano) e as poucas linhas. Como decorrência de tudo isso, os funcionários convivem com a piora das condições de trabalho, o aumento constante do ritmo de trabalho, as terceirizações e o achatamento do piso salarial, provocando grandes diferenças salariais entre trabalhadores com a mesma função.
 
Nesse longo período de corrupção, também avançou o projeto dos tucanos de expansão do metrô com privatização. Foi na Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo que se foram inauguradas as Parcerias Público Privada (PPP), criadas pelo governo Lula (PT) em 2004. Não poderia ser diferente: quanto mais privatização, quanto maior a ingerência de interesses privados nos serviços públicos, mais espaço para a corrupção e piora nos serviços públicos.
 
A privatização alimenta a corrupção, que vai continuar se as linhas privatizadas, no metrô e na CPTM, não forem estatizadas. A expansão das demais linhas, tão propagandeada pelo governo, não podem ser feitas com privatização, tem de ser feita com o dinheiro que foi roubado dos cofres públicos.
 
Infelizmente, o PT não é alternativa, não está sendo diferente. Em SP, fez aliança com o conhecido ladrão, investigado até pela Interpol, Paulo Maluf, e protagonizou o escândalo do mensalão.
 
Demissão imediata dos três secretários de Alckmin
No mesmo dia, o governador Alckmin se apressou em afirmar, na grande imprensa, que os três secretários, de sua estreita confiança, continuarão em seus cargos. Isso demonstra, mais uma vez, a sua conivência com todo o esquema envolvendo a corrupção nas obras do Metrô e dos trens de SP. 
 
Além disso, é uma prova contundente do quanto a corrupção está arraigada e naturalizada no governo. Toda investigação da corrupção dos governos do PSDB tem de ser acompanhada pelos movimentos sociais. Somos a favor de uma CPI, desde que seja controlada pelos movimentos. Ao contrário do PT, não confiamos que uma CPI comandada apenas pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) vá fazer uma apuração a fundo, descobrindo e punindo todos os envolvidos, uma vez que a Alesp é controlada pelo PSDB.
 
O dinheiro roubado deve ser devolvido imediatamente para que seja investido no metrô público e estatal. Da mesma forma, os bens dos corruptos e corruptores devem ser confiscados e estes devem ser presos.
 
Fora Alckmin, corrupto e ditador! Por um governo dos trabalhadores sem patrões!

 
*Altino Prazeres Melo é presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, e Marisa Santos é diretora da Secretaria de Mulheres do sindicato.

Atualizada em 13/1/2014 às 16h09