Continua a resistência do povo palestino ao Muro da Vergonha

Dezenove palestinos são feridos enquanto a Ocupação desencadeia brutal onda de ataques. população de Bil´in continua a resistênciaNa sexta feira, 28 de abril, a partir das 11 da manhã, dezenas de crianças do ensino fundamental conduziram uma manifestação colorida e festiva, carregando uma imensa bandeira palestina para as terras confiscadas. As Forças de Ocupação tentaram impedir que a multidão alcançasse a zona, mas foram superadas pela expressiva massividade e combatividade dos manifestantes, que cantavam em coro: “Não ao Muro do Apartheid!” e “Este Muro Deve Cair!”

Num esforço para desmantelar o protesto, os membros das Forças de Ocupação disfarçaram-se e se infiltraram na manifestação, quando começaram a atirar pedras na área onde máquinas escavadeiras israelenses, os bulldozers, estavam operando. Questionados por manifestantes furiosos, que exigiram conferir seus documentos de identidade, o grupo disfarçado reivindicou ser da cidade vizinha de Saffa. Sabendo a verdade, os palestinos confrontaram-se com a unidade, ferindo duas pessoas das Forças de Ocupação. Sua verdadeira identidade veio à tona quando eles revelaram suas pistolas e se retiraram da área.

Uma rajada de balas de borracha abateu-se contra a multidão desarmada. Dezenas feriram-se quando bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo foram usadas na tentativa de fazer os manifestantes retrocederem. Cerca de 50 manifestantes conseguiram atravessar a passagem do Muro onde os bulldozers ocupavam-se em destruir árvores e terras palestinas. O trabalho foi suspenso enquanto as Forças de Ocupação passaram várias horas dispersando as massas.

O maior grupo, de aproximadamente 500 manifestantes, concentrou-se nos territórios confiscados, mas não pôde juntar-se ao pequeno protesto ao redor da passagem do Muro. As Forças de Ocupação atacaram a multidão repetidas vezes, mas a cada turno os manifestantes se reagrupavam e voltavam ao território, desafiando o projeto de guetização do Muro do Apartheid.

Os manifestantes sentaram-se no chão, usando seu corpo para resistir aos soldados, e fizeram uma sessão de orações. Esta ação simboliza o profundo vínculo que a população mantém com a terra e os recursos vitais que são fornecidos com as olivas, amêndoas e outros produtos.

No total, dois palestinos foram presos e 19 feridos, incluindo três crianças, todas com menos de 15 anos. Nove palestinos adultos saíram machucados, incluindo Mazen Ahmad Issa, que foi seriamente ferido por um tiro na perna. Quatro jornalistas foram feridos. Quase todas lesões foram resultado dos disparos.

As Forças de Ocupação utilizaram-se de uma variedade de balas de borracha. Uma bala continha substância desconhecida, que trazia um pó branco, que deixa marcas vermelhas e queimaduras na pele. Outros projéteis também continham um desconhecido pó químico, que será submetido a análise.

Bil’in foi o centro de uma intensa mobilização e resistência durante o último mês, com várias manifestações organizadas todas as semanas. Uma vez mais ficou claro, através da combatividade e determinação demonstrada pela população local – e daqueles que se juntaram a eles em solidariedade – que a guetização da Palestina e o Muro do Apartheid nunca serão permitidos. Enquanto a decisão do Tribunal Internacional de Justiça (ICJ) pelo desmantelamento do Muro do Apartheid permanece ignorada pela comunidade internacional, a resistência dos movimentos sociais manteve-se combativa, em busca da implementação da decisão do ICJ, em detrimento da brutalidade e violência da Ocupação.