Construir uma alternativa nas lutas e nas eleições

    A maioria dos trabalhadores e jovens brasileiros ainda apoia o PT. Não percebem que esse partido, na verdade, governa para as grandes multinacionais e bancos, como fazia o PSDB. O PT tem mais condições de convencer os trabalhadores das mesmas políticas defendidas pelo PSDB por ter uma cara diferente, com Lula e Dilma. Mas o programa dos dois blocos burgueses, liderados pelo PT e PSDB, é idêntico.
    Uma parcela minoritária dos trabalhadores e jovens já percebeu isso e começa a romper com os dois blocos. Isso já tinha se manifestado nas eleições passadas. Agora, a queda de 8% na popularidade do governo indica que os trabalhadores começaram a perceber as mudanças na economia, com a inflação e a desaceleração.
    Por outro lado, existe um ascenso sindical importante no país, que dá bases para o fortalecimento da CSP-Conlutas. Em 2012, ocorreram 873 greves, bem mais do que as 530 de 2011. Uma das grandes limitações políticas da situação do país é que esse ascenso ainda é essencialmente sindical. A maioria dos grevistas ainda apoia o governo Dilma, apesar de se chocar contra seu plano econômico. No entanto, existe possibilidade que esse ascenso vá fertilizando a ruptura política com o governo, em particular nos setores em que mais o governo petista mais ataca os trabalhadores, como no funcionalismo público, no campo ou entre os petroleiros.
    É fundamental construir uma alternativa para este processo sindical e político, tanto nas lutas como nas eleições.
    A CSP-Conlutas, central que busca unificar as lutas contra o governo, enfrentando o peleguismo da CUT, esteve à frente da luta contra a precarização do trabalho contra a proposta que constituía o Acordo Coletivo Especial (que aparentemente está inviabilizada). Luta também contra privatizações e pelo fim do fator previdenciário. Agora, junto com outras entidades, está encaminhando uma campanha pela anulação da reforma da Previdência, votada com o auxilio do mensalão para corromper parlamentares.
    Para as eleições, o PSTU defende uma Frente de Esquerda que seja uma expressão das lutas e do processo de reorganização em curso. Isso significa assumir uma ruptura com a lógica de campanhas financiadas por setores da burguesia e que depois transformam os eleitos em marionetes das grandes empresas. Isso significa assumir um programa classista e socialista, de enfrentamento com as multinacionais e bancos, que continuam mandando nesse país.
    Por isso, o PSTU chama o PSOL e o PCB a formarem conosco uma frente eleitoral em 2014. Uma frente sem alianças com a burguesia e sem financiamento de campanha pelas empresas. Esse tipo de prática (a que o PSOL recorreu em eleições passadas, como Belém e Macapá) leva à trajetória já feita pelo PT e que levou aos desastres já conhecidos.
     

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